Perda florestal no Brasil cai 42% em 2025, mas país ainda lidera ranking

Queda na perda florestal no Brasil reflete avanço da governança ambiental, mas aumento de incêndios e demanda por commodities desafiam metas climáticas até 2030.

O Brasil registrou uma queda expressiva na perda florestal no Brasil em 2025, segundo dados do Global Forest Watch, iniciativa do World Resources Institute (WRI). Ao longo do ano, o país perdeu cerca de 1,6 milhão de hectares de cobertura arbórea, uma redução de aproximadamente 42% em relação a 2024.

O resultado representa o menor nível de perdas não associadas a incêndios desde o início da série histórica, em 2001. A diminuição foi puxada principalmente pela queda no desmatamento direto, como corte raso e degradação, indicando avanços na governança ambiental e na fiscalização.

Estados como Amazonas, Mato Grosso, Acre e Roraima concentraram parte significativa dessa redução, enquanto o Maranhão foi o único a apresentar aumento nas perdas.

Apesar do avanço, a perda florestal no Brasil ainda coloca o país na liderança global em área total de vegetação perdida, respondendo por mais de um terço da destruição registrada no planeta em 2025.

Impacto global e mudança de padrão

No cenário mundial, a perda de florestas tropicais primárias somou 4,3 milhões de hectares em 2025, uma queda de cerca de 35% frente ao ano anterior. Ainda assim, o volume permanece muito acima do necessário para cumprir a meta internacional de zerar o desmatamento até 2030.

Especialistas apontam que, embora políticas públicas tenham contribuído para reduzir o desmatamento em alguns países, a dinâmica da perda florestal está mudando. Os incêndios ganharam protagonismo e se tornaram um dos principais fatores de degradação nos últimos anos.

Esse fenômeno está diretamente ligado às mudanças climáticas. Secas prolongadas e temperaturas mais elevadas aumentam a inflamabilidade da vegetação, criando um ciclo de retroalimentação, em que florestas degradadas tornam-se mais vulneráveis ao fogo e aceleram novas perdas.

Incêndio florestal avança sobre vegetação na Amazônia, agravando a perda florestal no Brasil.
Incêndios intensificam a perda florestal no Brasil e ampliam os impactos da crise climática nos biomas amazônicos. Foto: Márcio Pimenta.

Pressões econômicas persistem

Apesar da influência crescente dos incêndios, a expansão agrícola segue como o principal motor da perda florestal global. A produção de commodities, como soja e carne, continua impulsionando a conversão de áreas naturais.

No Brasil, esse padrão é histórico, cerca de 73% da perda de florestas primárias nas últimas duas décadas está associada à agropecuária.

Desafio até 2030

A redução observada em 2025 é considerada positiva, mas insuficiente diante dos compromissos climáticos globais. Estimativas indicam que o mundo ainda está cerca de 70% acima do limite necessário para interromper a perda florestal até o fim da década, cenário que mantém a perda florestal no Brasil no centro do debate climático internacional.

Para especialistas, os dados revelam um cenário de transição, em que políticas públicas mostram que é possível reduzir o desmatamento rapidamente, mas o avanço dos incêndios e as pressões econômicas continuam a ameaçar os resultados.

O desafio agora é ampliar soluções que valorizem a floresta em pé, combinando fiscalização, incentivos econômicos e estratégias de adaptação climática. Sem isso, o progresso recente pode não ser suficiente para garantir a conservação dos ecossistemas tropicais nos próximos anos.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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