Peixes venenosos da Amazônia são descobertos com apoio do conhecimento de ribeirinhos

Segundo pesquisadores, relatos de coletores ribeirinhos foram essenciais para compreender as peculiaridades dos peixes venenosos identificados na região, o que reforça a importância dos saberes tradicionais para a ciência

Duas novas espécies de peixes cascudos altamente tóxicos foram encontrados e identificados na bacia do rio Tapajós, entre os estados do Pará e Amazonas, por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). As espécies foram batizadas de Hoplisoma noxium e Hoplisoma tenebrosum, pertencentes à subfamília Corydoradinae, e foram descritas oficialmente em um artigo publicado na revista científica Neotropical Ichthyology.

Segundo relatos de piabeiros — coletores ribeirinhos especializados em peixes ornamentais —, os espinhos desses peixes podem causar reações dolorosas em humanos, como dor intensa, inchaço e vermelhidão. Além disso, a toxina que liberam pode matar outros peixes em recipientes compartilhados, turvando a água e produzindo espuma.

Hoplisoma noxium, holótipo, MNRJ 55759, 54,8 mm SL, Jacareacanga, Pará, Brasil, igarapé do Buriti (conhecido localmente como igarapé Sonrizal), bacia do rio Tapajós.
Hoplisoma noxium, holótipo, MNRJ 55759, 54,8 mm SL, Jacareacanga, Pará, Brasil, igarapé do Buriti (conhecido localmente como igarapé Sonrizal), bacia do rio Tapajós | Foto: Divulgação

“Essas informações vindas do conhecimento tradicional foram essenciais para compreendermos as peculiaridades dessas novas espécies”, destaca Luiz Fernando Caserta Tencatt, um dos autores do estudo e pesquisador da UFMT.

Com a identificação do Hoplisoma noxium e do Hoplisoma tenebrosum, os pesquisadores agora pretendem aprofundar os estudos sobre os efeitos da toxina produzida por esses peixes e investigar se outros membros da subfamília Corydoradinae também apresentam mecanismos de defesa semelhantes. A continuidade dessas pesquisas pode abrir portas para descobertas com aplicações científicas, médicas e ecológicas, além de contribuir para estratégias mais eficazes de conservação da fauna amazônica.


O igarapé do Buriti (= igarapé Sonrisal), localidade-tipo de Hoplisoma noxium, uma das espécies de peixes venenosos descoberta.
O igarapé do Buriti (= igarapé Sonrisal), localidade-tipo de Hoplisoma noxium, uma das espécies de peixes venenosos descoberta.
Foto por WMO

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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