PEC Kamikaze troca educação e saúde por combustível um pouco mais barato

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, está repetindo o roteiro “boiadeiro antiambiental” para tratorar a tramitação da PEC Kamikaze, que pretende abrir a porteira para dezenas de bilhões de reais em gastos pré-eleitorais para reduzir o preço dos combustíveis e distribuir benefícios fora do teto de gastos e do alcance da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Justiça Eleitoral.

Tales Faria informou no UOL que Lira quer apensar a proposta aprovada pelo Senado na semana passada a uma outra PEC em discussão na Casa, a que trata de benefícios para biocombustíveis, o que permitiria sua apresentação direta para votação no plenário, sem passar pelas comissões legislativas. A CBNtambém destacou essa movimentação.

A pressa de Lira & Cia. com a aprovação da PEC Kamikaze também se deve a um cálculo de oportunidade. Em entrevista ao Estadão, o relator da proposta na Câmara, deputado Danilo Forte (CE), confirmou que quer incluir no texto um benefício para motoristas de aplicativo, o que elevaria a fatura total dessa brincadeira para R$ 50 bilhões. Ao mesmo tempo, para aplacar a oposição, o parlamentar sinalizou que pode retirar do texto a decretação de um estado de emergência, visto como um potencial “liberou geral” para gastos do governo até a eleição de outubro.

Enquanto os parlamentares correm para aprovar a proposta, representantes de governos estaduais e municipais, bem como especialistas em políticas públicas, temem os impactos diretos e indiretos da PEC Kamikaze sobre os investimentos em saúde e educação. Bruno Alfano destacou n’O Globo dados da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (FINEDUCA) que apontam para uma perda de R$ 21 bilhões do ensino público de estados e municípios. O valor em aberto, decorrente da redução forçada do ICMS sobre combustíveis, pode afetar não apenas a construção de creches e escolas de nível fundamental e médio, mas também gastos com a infraestrutura existente e até mesmo a folha de pagamento de professores e funcionários.

“Do ponto de vista coletivo, o Brasil está fazendo as piores e mais irracionais escolhas possíveis. Com a redução do ICMS, troca uma educação de qualidade por um combustível um pouco mais barato”, comentou Míriam Leitão n’O Globo. “A medida destrói os planos para recuperação do aprendizado no pós-pandemia, depois da reabertura das escolas, em algumas cidades”.

Texto publicado originalmente em Clima INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

O debate fiscal visto da Amazônia 

“A dívida pública e o país que fica fora...

Petrobras registra 3ª descoberta de petróleo na Foz do Amazonas

Petrobras registra terceira descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no poço Morpho, e conclui a perfuração na costa do Amapá.

Governo prevê rastrear máquinas para combater garimpo ilegal na Amazônia

Nova regra prevê rastrear máquinas para combater o garimpo ilegal na Amazônia, enquanto falhas no controle de combustíveis desafiam a fiscalização.

Indicado a secretário de Meio Ambiente do Pará tem autuação por desmatamento

Futuro secretário de Meio Ambiente do Pará foi multado em R$ 3,4 milhões por desmatamento e indiciado pela PF por dificultar fiscalização.

Ouro ilegal ultrapassa cocaína e lidera lucros do crime na Amazônia

Garimpo ilegal na Amazônia supera tráfico de cocaína em lucratividade. Estudo revela avanço de facções criminosas e riscos ambientais na região.