Apresentação de Alfredo Lopes – BrasilAmazoniaAgora
Em O Brasil precisa de uma nova política econômica, o professor Paulo R. Haddad examina uma questão que atravessa sucessivos governos brasileiros. Até que ponto o equilíbrio das contas públicas pode assegurar crescimento, reduzir desigualdades e enfrentar a degradação ambiental?
No ensaio, datado de 13 de outubro de 2026, o autor questiona a expectativa de que o ajuste fiscal, por si só, seja capaz de produzir essas transformações.
Haddad descreve uma economia aprisionada em esforços recorrentes de contenção de despesas, enquanto o baixo crescimento limita a arrecadação e se acumulam demandas por saúde, educação, infraestrutura e proteção ambiental. Recorre à imagem de Sísifo, condenado a empurrar uma pedra montanha acima e vê-la rolar novamente, para interpretar esse movimento. Em sua análise, a administração do caixa ocupa progressivamente o espaço do planejamento de médio e longo prazo.
O cuidado com a estabilidade permanece central em sua proposta. Haddad defende a independência do Banco Central e a compatibilidade do financiamento dos investimentos com o controle da inflação. Sustenta, ao mesmo tempo, que o país precisa organizar projetos capazes de ampliar a produção, a renda e a própria base de arrecadação. Entre as possibilidades apresentadas estão a inovação agropecuária, as aglomerações de pequenas empresas, a bioeconomia amazônica e as indústrias associadas ao enfrentamento das mudanças climáticas.
Para a Amazônia, a leitura tem particular interesse ao vincular competitividade, distribuição dos benefícios do crescimento e conservação dos ecossistemas. Essa agenda também contém escolhas que exigem exame rigoroso, como a exploração de petróleo na Margem Equatorial, incluída pelo autor sob condicionantes de sustentabilidade e avaliação socioambiental.
A contribuição mais relevante do ensaio está em devolver à política econômica a discussão sobre o desenvolvimento que se pretende construir. Com forte tom de intervenção no debate público, Haddad oferece diretrizes cuja execução dependerá de projetos, financiamento e capacidade de articulação política. Seu argumento convida a avaliar a gestão econômica também pelas oportunidades que consegue criar e pelas condições de vida que efetivamente melhora.
Tenha acesso ao artigo do Professor Paulo Haddad aqui: