Pandemia pode reverter desenvolvimento humano pela 1ª vez em 30 anos

O surto do novo coronavírus expôs de forma explícita as desigualdades em todo o mundo, e pode reverter o desenvolvimento humano pela primeira vez desde 1990, disse a Organização das Nações Unidas (ONU) nessa quarta-feira (20) em relatório.

A instituição acrescentou que a crise, no entanto, revelou a força da ação coletiva diante de uma ameaça comum, e exortou o mundo a mostrar a mesma força no combate à mudança climática.

“A pandemia de covid-19 está desencadeando uma crise no desenvolvimento humano”, disse o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud) no relatório.

Outros choques – como a crise financeira de 2007-2009 ou o surto de ebola na África Ocidental em 2014-2016 – abalaram, mas não impediram, avanços no desenvolvimento ano a ano de forma geral, disse o chefe do Pnud, o teuto-brasileiro Achim Steiner. “A covid-19 pode mudar essa tendência com seu golpe triplo na saúde, educação e renda”, afirmou.

Além das mortes por covid-19, que já ultrapassam 320 mil, a crise pode ter como efeito indireto a morte de mais 6 mil crianças por dia devido a doenças evitáveis nos próximos seis meses, segundo o Pnud.

Seis de 10 crianças em todo o mundo não estão recebendo educação por causa do fechamento de escolas, e como recessões profundas estão afetando a maioria das economias, o declínio no Índice de Desenvolvimento Humano do Pnud seria equivalente à anulação de todo o progresso dos últimos seis anos.

O declínio está afetando nações ricas e pobres, mas acredita-se que será muito mais agudo em países em desenvolvimento menos habilitados a lidar com as consequências sociais e econômicas da pandemia.

“Se não incluirmos a igualdade na caixa de ferramentas políticas, muitos ficarão ainda mais para trás”, alertou Pedro Conceição, diretor do escritório do Pnud que produz o Relatório de Desenvolvimento Humano anual.

“Isso é particularmente importante para as novas necessidades do século 21, como o acesso à internet, que está nos ajudando a nos beneficiarmos da teleducação, telemedicina e a trabalhar em casa”, acrescentou o diretor em comunicado.

O Pnud estima que 86% das crianças no ensino primário estejam, na prática, fora das escolas em países de baixo desenvolvimento por carecerem das ferramentas para o aprendizado digital – a taxa é de 20% nas nações mais ricas.

Quanto à aplicação das lições da pandemia no combate à mudança climática, “se precisávamos de uma prova de conceito de que a humanidade consegue reagir coletivamente a um desafio global compartilhado, agora estamos vivendo isso”, observou o relatório.

Fonte: Agência Brasil

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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