USP desenvolve fertilizante de vidro que evita perdas e alimenta o solo por mais tempo

A estrutura do novo fertilizante de vidro permite liberação controlada e gradual de nutrientes, reduzindo perdas e garantindo que os elementos essenciais à nutrição das plantas sejam absorvidos de forma mais eficaz

Pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um fertilizante de vidro inovador, que se apresenta como uma solução sustentável para a agricultura sustentável moderna. A proposta busca resolver problemas comuns associados aos fertilizantes tradicionais, como a perda de nutrientes por lixiviação — ou seja, quando são levados pela chuva — ou pela ação do vento em períodos de temporais, o que gera desperdício e impactos ambientais negativos.

Segundo Danilo Manzani, do IQSC, um dos cientistas responsáveis pela pesquisa, a estrutura do novo fertilizante vítreo permite liberação controlada e gradual de nutrientes, reduzindo perdas e garantindo que os elementos essenciais à nutrição das plantas, como nitrogênio, fósforo e potássio, sejam absorvidos de forma mais eficaz ao longo do tempo.

Essa característica não apenas melhora o rendimento agrícola, mas também minimiza os riscos de poluição do solo e da água, frequentemente associados ao uso excessivo de fertilizantes solúveis.

Novo fertilizante de vidro evita perdas com chuva e vento e alimenta o solo por mais tempo.
Novo fertilizante de vidro evita perdas com chuva e vento e alimenta o solo por mais tempo | Imagem gerada por IA

“Nosso fertilizante é um material no estado vítreo, que foi sintetizado com concentrações adequadas de fósforo, silício e potássio, combinadas com outros compostos em menores concentrações, como molibdênio, magnésio, boro e cálcio. Esses compostos apresentam solubilidade em água e no solo. A versatilidade dos vidros é que, em teoria, podem ser obtidos em diferentes composições, incluindo as necessárias para atuar como fertilizantes de liberação lenta e controlada”, explica o professor.

Um dos testes de campo mais relevantes do fertilizante de vidro foi realizado em parceria com a Embrapa, utilizando uma plantação de capim Piatã, uma gramínea de alto valor na produção de forragem. Os resultados foram promissores: em cinco colheitas sucessivas, o novo fertilizante apresentou um desempenho 70% superior no suprimento de nutrientes às plantas em comparação aos fertilizantes convencionais.

Amostra do fertilizante vítreo que é processado em grãos pequenos para garantir a liberação gradual dos nutrientes no solo. Foto: Danilo Manzani.
Amostra do fertilizante vítreo que é processado em grãos pequenos para garantir a liberação gradual dos nutrientes no solo | Foto: Danilo Manzani.

Apesar dos resultados promissores, o projeto ainda enfrenta desafios importantes. Um deles é a atual impossibilidade de incorporar nitrogênio e enxofre, dois elementos fundamentais para o desenvolvimento das plantas, na matriz vítrea do fertilizante. Os pesquisadores afirmam que estão realizando novos estudos para superar essa limitação no no Laboratório de Materiais Inorgânicos e Vítreos do instituto.

Novo fertilizante de vidro evita perdas com chuva e vento e alimenta o solo por mais tempo.
Novo fertilizante de vidro evita perdas com chuva e vento e alimenta o solo por mais tempo.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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