Amazônia e Cerrado concentram quase 90% do desmatamento no Brasil em 2024

O relatório também revela a magnitude do desmatamento no Brasil em termos temporais: em 2024, a média de área desmatada por dia foi de 3.403 hectares, o que equivale a 141,8 hectares por hora

De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD), divulgado nesta quarta-feira (14) pelo MapBiomas, o desmatamento em 2024 continuou fortemente concentrado em dois dos biomas mais sensíveis do país: a Amazônia e o Cerrado, que juntos responderam por mais de 89% de toda a área desmatada no território nacional.

Entre os tipos de vegetação mais afetados, as formações savânicas, típicas do Cerrado, lideraram o ranking, correspondendo a 52,4% do total de desmatamento registrado. Em seguida, vieram as formações florestais, predominantemente na Amazônia, que representaram 43,7% da perda de vegetação nativa no país.

O relatório também revela a magnitude do problema em termos temporais: em 2024, a média de área desmatada por dia foi de 3.403 hectares, o que equivale a 141,8 hectares por hora.

Desmatamento no Cerrado.
Desmatamento no Cerrado | Crédito:TIAGO QUEIROZ/ESTADAO

Apesar dos níveis concentrados de devastação, em 2024, o desmatamento apresentou redução em quase todos os biomas brasileiros quando comparado ao ano de 2023. O Pantanal registrou a maior queda, com redução de 58,6%, seguido pelo Pampa, com 42,1%, e pelo Cerrado, que teve uma redução de 41,2%. Na Amazônia, a diminuição foi de 16,8%, enquanto a Caatinga teve queda de 13,4%. Em contrapartida, a Mata Atlântica foi o único bioma que apresentou aumento, com crescimento de 2% no desmatamento em relação ao ano anterior.

De acordo com Tasso Azevedo, coordenador geral do Mapbiomas, um dos dados monitorados pela instituição é a perda de vegetação nativa por causa de eventos extremos climáticos, e isso pode explicar o crescimento do desmatamento na Mata Atlântica.

Bioma mais ameaçado do Brasil por crimes ambientais, Mata Atlântica registrou alta no desmatamento em 2021
Bioma mais ameaçado do Brasil, Mata Atlântica registrou alta no desmatamento em 2025 | Foto: Arquivo ((o))eco

“Nesses últimos anos, foram construídos planos de enfrentamento ao desmatamento para todos os biomas, o que não havia antes. Outra questão é que aumentou a participação dos estados nas ações em relação ao desmatamento, em termo de atuarem mais nos embargos e autuações feitas pelo Ibama. O terceiro fator é a questão do crédito rural. Houve um aumento do uso desses dados para a concessão de crédito rural”, avalia Azevedo.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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