Nova York adota compostagem obrigatória e dá passo histórico na gestão de resíduos

Com a compostagem obrigatória, todos os moradores são obrigados a separar os resíduos orgânicos, como restos de comida, folhas, galhos e resíduos de jardim, e colocá-los para coleta no mesmo dia da reciclagem

Nova York iniciou oficialmente seu programa de compostagem obrigatória em abril, como parte de uma estratégia para reduzir o volume de resíduos enviados a aterros sanitários e, consequentemente, diminuir as emissões de gases de efeito estufa associadas à decomposição de matéria orgânica. Com essa política, a cidade pretende transformar o lixo orgânico em composto, promovendo uma gestão mais sustentável dos resíduos urbanos.

Segundo as novas regras, todos os moradores são obrigados a separar os resíduos orgânicos, como restos de comida, folhas, galhos e resíduos de jardim, e colocá-los para coleta no mesmo dia da reciclagem. A prefeitura distribuiu lixeiras marrons específicas para esse fim, mas os cidadãos também podem utilizar recipientes próprios, desde que sejam identificados corretamente e não ultrapassem 200 litros de capacidade.

Nova York adota compostagem obrigatória e dá passo histórico na gestão de resíduos.
Nova York adota compostagem obrigatória e dá passo histórico na gestão de resíduos | Foto: Buffalo Worm Works

“Os nova-iorquinos clamam há anos por um programa de compostagem na calçada que seja normal”, afirmou Joshua Goodman, porta-voz do Departamento de Saneamento da cidade. “Sem regras especiais, sem dias de folga, sem idas e vindas… apenas um serviço de saneamento regular e fácil de usar.”

A coleta de material compostável no início de abril atingiu 2,5 milhões de libras, um salto expressivo em comparação com as 737 mil libras recolhidas no mesmo período do ano anterior.

Fiscalização da compostagem

Para assegurar o cumprimento do novo programa de compostagem obrigatória, a cidade de Nova York passou a aplicar multas aos moradores que não realizarem corretamente a gestão de resíduos orgânicos. A fiscalização, que até outubro de 2024 emitia apenas advertências por escrito, agora passou a aplicar sanções financeiras formais a partir de abril de 2025.

Os valores das penalidades variam conforme o tipo de imóvel: para propriedades com até oito unidades residenciais, as multas vão de US$ 25 a US$ 100. Já em prédios maiores, as reincidências podem resultar em multas de até US$ 300. De acordo com a prefeitura, quase 2.000 infrações foram registradas na primeira semana de abril.

Com essa política, a cidade pretende transformar o lixo orgânico em composto, promovendo uma gestão mais sustentável dos resíduos urbanos.
Com essa política, a cidade pretende transformar o lixo orgânico em composto, promovendo uma gestão mais sustentável dos resíduos urbanos | Foto: Buffalo Worm Works

Apesar do projeto promissor de gestão de resíduos, ativistas e especialistas destacam que a eficácia da compostagem obrigatória em Nova York depende não apenas da fiscalização e aplicação de multas, mas também de ações robustas de educação e conscientização. Eles alertam que a imposição de sanções, se não vier acompanhada de apoio informativo e pedagógico à população, pode gerar resistência ou confusão, especialmente em áreas com menos acesso a recursos e informação.

Exemplos bem-sucedidos, como o de São Francisco — referência internacional em gestão de resíduos — são citados como referência de que o engajamento comunitário é essencial. “A principal ferramenta que usamos é a educação”, afirmou Joseph Piasecki, do Departamento do Meio Ambiente de São Francisco. “Ligamos, conversamos, colocamos a mão na massa e perguntamos: ‘Como podemos ajudá-lo a ter sucesso?’”.

O programa em Nova York ainda está em fase inicial, mas defensores da compostagem já pressionam as autoridades para que aumentem os investimentos em educação comunitária e assegurem mais transparência sobre o destino final dos resíduos orgânicos.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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