“Narcoecologia”: estudo aponta relação entre tráfico de drogas e desmatamento na Amazônia

O geógrafo Aiala Colares Couto, professor da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, chamou de “narcoecologia” a conexão entre tráfico de drogas e crimes ambientais na Amazônia, como desmatamento, grilagem, garimpo em Terras Indígenas e extração ilegal de madeira.

Em sua análise, o avanço de grandes facções criminosas alimenta ilegalidades ambientais no território amazônico.

Essas intersecções são observadas também pelo Relatório Mundial sobre Drogas de 2023, que pela primeira vez trouxe um capítulo específico sobre a Amazônia. O documento publicado pelo Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) mostra como os traficantes estão ampliando suas atividades criminosas, extraindo madeira e ouro ilegalmente e ocupando terras de forma irregular – o Jornal Nacional trouxe com destaque.

UNODCafirma que os criminosos sujeitam Povos Indígenas e outras Comunidades Tradicionais, como Ribeirinhos e Quilombolas, à violência, a deslocamentos forçados e à intoxicação por mercúrio usado nos garimpos. A  Agência Brasildeu detalhes.

“Os defensores do meio ambiente muitas vezes são alvos específicos de traficantes e grupos armados”, aponta o relatório.

narcoecologia
Reprodução JN

A situação tem relação direta com o avanço de facções na Região Norte, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, de acordo com o Estadão. Se por um lado é o crime organizado que alimenta a “economia da droga”, com garimpo, grilagem, estradas clandestinas e desmatamento, por outro a Polícia Federal aponta também a participação de militares do Exército.

Em operação deflagrada na 3ª feira (27/6), a PF identificou um tenente-coronel em um esquema de vazamento de informações sobre operações contra garimpos por dragas na região de Japurá (AM), perto da fronteira do Brasil com a Colômbia. Segundo a Folha e o Jornal Nacional (TV Globo), o oficial Abimael Alves Pinto recebia pagamentos mensais de garimpeiros pela conta bancária da esposa.

Segundo áudios exibidos, apurou-se que “ao menos três operações da PF foram prejudicadas pelo vazamento de informações”. Ao todo, a Justiça Federal autorizou três mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão.

Texto publicado em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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