Na Semana da Mulher, políticas públicas habitacionais têm que considerar questão de gênero

De acordo com Nabil Bonduki, 59% do déficit habitacional brasileiro é formado por domicílios chefiados por mulheres que enfrentam dificuldades para encontrar moradia

Na edição de Cotidiano na Metrópole desta semana, o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, comemora o Dia Internacional da Mulher e comenta sobre como a questão de gênero tem afetado políticas de habitação nas cidades brasileiras.

Conforme o professor, “o que temos visto nas últimos décadas, no Brasil, é o enorme crescimento dos domicílios chefiados por mulheres. Em 2000, por volta de 25% dos domicílios eram chefiados por mulheres”. Entretanto, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o percentual de domicílios brasileiros comandados por mulheres saltou para 45% em 2018, devido, principalmente, ao crescimento da participação feminina no mercado de trabalho.

Na opinião do especialista, os números refletem um problema sério na nossa sociedade, “o fato de que muitos homens abandonam as suas esposas ou as suas companheiras ou as mães e seus filhos, o que faz com que essas famílias tenham que ser chefiadas por mulheres. Muitas vezes, elas enfrentam enormes dificuldades para poder encontrar a moradia”.

Bonduki explica que, de acordo com dado publicado pela Fundação João Pinheiro, 59% do déficit habitacional é formado por domicílios chefiados por mulheres. Por isso, o urbanista defende que as autoridades “não podem mais desconsiderar a questão de gênero, que precisa ser colocada no centro das políticas habitacionais”.

Fonte: Jornal da USP

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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