Entenda o que matou mais de 50 hipopótamos em um dos maiores parques da África

Reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, o Parque Nacional de Virunga é conhecido por sua rica biodiversidade; a morte dos hipopótamos representa mais um desafio nos esforços para preservar os animais no local, que já é alvo de conflitos armados há décadas

O diretor do Parque Nacional de Virunga, no Congo, informou nesta terça-feira (08) que pelo menos 50 hipopótamos e outros grandes animais morreram envenenados por antraz, uma doença grave geralmente causada por bactérias encontradas naturalmente no solo. Imagens divulgadas mostram os corpos de hipopótamos flutuando no Rio Ishasha e presos na vegetação às margens do rio, que deságua em um dos principais lagos da África.

Reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, o Parque Nacional de Virunga é conhecido por sua rica biodiversidade e por abrigar os últimos gorilas-da-montanha em risco de extinção. Localizado em uma região afetada por mais de duas décadas de conflitos armados, o parque enfrenta desafios constantes para proteger sua fauna e ecossistemas únicos.

O local já foi alvo de um massacre em 2020, que deixou doze guardas mortos. Desde 2006, mais de 150 guarda-parques já haviam perdido suas vidas por ataques de grupos armados da região.

Parque Nacional de Virunga, local onde ocorreu a morte dos hipopótamos, é um dos 17 patrimônios mundiais africanos ameaçados segundo levantamento da UNESCO.
Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo, é um dos 17 patrimônios mundiais africanos ameaçados segundo levantamento da UNESCO. Foto: WikiCommons / Cai Tjeenk Willink

As mortes de dezenas de hipopótamos por envenenamento por antraz representam mais um duro golpe para o parque, que há décadas se dedica à recuperação da espécie após o declínio drástico causado pela caça ilegal e pelos conflitos armados. A população, que já foi de mais de 20 mil indivíduos, chegou a cair para algumas centenas. Graças a esforços de conservação, o número atual de hipopótamos no parque é de aproximadamente 1,2 mil.

O envenenamento por antraz foi confirmado por meio de testes laboratoriais, embora ainda não esteja claro como os animais entraram em contato com a bactéria Bacillus anthracis, causadora da doença. Os animais podem se infectar ao inalar esporos presentes na terra, em plantas ou na água contaminada — especialmente em regiões com histórico de surtos ou em áreas degradadas.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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