Mineração e petróleo são os grandes beneficiários dos incentivos fiscais na Amazônia

Em uma época em que a economia brasileira enfrenta constantes desafios, as estratégias do governo federal para impulsionar o desenvolvimento nas regiões Norte e Nordeste do país estão sob escrutínio. Um estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) revelou que a grande maioria dos incentivos fiscais nessas regiões foi direcionada para setores que frequentemente se encontram no centro de debates e polêmicas: mineração, energia e petróleo.

Incentivos e Concentração em Poucas Mãos

Dados de 2021 da Receita Federal mostram que os incentivos fiscais concedidos pela SUDAM e SUDENE somaram R$ 42,38 bilhões. Chama a atenção o fato de que apenas cinco empresas foram responsáveis por absorver quase 54% desse valor, ou seja, cerca de R$ 22 bilhões. A Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, liderou a lista com R$ 18 bilhões em incentivos, vinculados principalmente às suas operações em Carajás (PA).

mineração
Lalo de Almeida / Folhapress

Empresas Autuadas pelo IBAMA

Além da concentração de incentivos em poucas mãos, outro dado alarmante surge ao cruzarmos informações de incentivos com infrações ambientais. Empresas que foram beneficiadas com isenções fiscais no valor de R$ 84,2 bilhões em 2021, também foram multadas em pelo menos R$ 2 bilhões pelo IBAMA por crimes ambientais. A Vale e a Petrobras, duas gigantes em seus respectivos setores, lideram as listas de benefícios e multas.

Uma preocupação adicional é a pressão exercida sobre Terras Indígenas. Segundo a Ekō, muitas das principais mineradoras estão solicitando à Agência Nacional de Mineração (ANM) direitos de exploração em territórios indígenas. 59% destes pedidos estão na Amazônia Legal. A ameaça também se estende a comunidades tradicionais na Bahia, onde mineradoras têm interesse nas terras ricas em quartzito.

A questão é: até que ponto esses incentivos fiscais estão alinhados com um desenvolvimento sustentável e inclusivo? O equilíbrio entre desenvolvimento econômico e responsabilidade socioambiental é crucial. No entanto, os dados atuais sugerem que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para alcançar esse equilíbrio. As implicações desses incentivos fiscais para o meio ambiente, para as comunidades tradicionais e para a sociedade em geral devem ser cuidadosamente avaliadas.

Veja aqui o estudo completo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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