Medicamento de queimadura extraído da macadâmia ganha prêmio internacional

Por DÉBORA SPITZCOVSKY – The Greenest Post

Você sabia? Para ser extraída em larga escala, a noz da macadâmiacobiçadíssima no Brasil e no mundo – passa por processamento que aproveita apenas 25% do fruto. Todo o resto (75%!) vai para o lixo por não ter valor comercial para a agroindústria.

Encontrar uma utilidade para esse resíduo, que é produzido aos montes em nosso país, virou a missão da estudante Juliana Davoglio Estradioto, depois que ficou sabendo da informação pela professora Flávia Twardowsky, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, onde a jovem cursava técnico de Administração.

macadâmia
Foto reprodução

Reaproveitamento da casca da macadâmia

Juntas, aluna e orientadora passaram a buscar soluções viáveis, do ponto de vista econômico e também ambiental, para o reaproveitamento de um dos principais resíduos do processamento da macadâmia – a casca! – e esbarraram nos resultados de uma outra pesquisa que Juliana fazia há algum tempo. Vegetariana, ela buscava on-line alternativas para roupas de couro e descobriu o universo dos biotecidosisso é, tecidos feitos a partir de microorganismos.

Com o conceito na cabeça, ela mergulhou na biotecnologia e, com a ajuda da orientadora Flávia Twardowsky, desenvolveu método em que bactérias produzem uma espécie de material orgânico ao se alimentar da casca da macadâmia. O resultado é uma espécie de tecido natural que pode ser usado como curativo em peles queimadas, a fim de ajudar em sua cicatrização e reconstrução.

A descoberta rendeu à Juliana uma premiação na International Science and Engineering Fair, maior feira de ciências do mundo. A jovem ganhou prêmio em dinheiro e a oportunidade de ter um asteroide nomeado com seu sobrenome, além da validação de que sua ideia tinha muito potencial.

Atualmente, Juliana cursa Engenharia numa das melhores universidades dos Estados Unidos, a Northwestern University. Ela se orgulha de ter chegado onde chegou estudando sempre em escolas públicas e assumiu como uma de suas missões de vida popularizar cada vez mais o acesso à Ciência a jovens mulheres. Voa, Juliana!

Texto publicado originalmente por The Greenest Post

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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