MANIFESTO BAA PELA DEMOCRACIA E PELA SOBERANIA

“Diante da tentativa de submeter as eleições, a economia e os recursos estratégicos brasileiros aos interesses de uma potência estrangeira, o Brasil Amazônia Agora reafirma sua posição em defesa da Constituição, da democracia, da Amazônia e do direito do povo brasileiro de escolher livremente o seu destino”

O Brasil aproxima-se de uma eleição decisiva sob uma pressão externa que já não pode ser tratada como simples afinidade entre grupos conservadores. Declarações, documentos, tarifas, ameaças de sanções e articulações realizadas em Washington revelam uma estratégia destinada a influenciar a política brasileira e condicionar nossas escolhas econômicas, diplomáticas e eleitorais.

A Agência Brasileira de Inteligência advertiu que o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras atingiu nível crítico. Segundo as informações divulgadas, a política do governo Donald Trump para a América Latina busca reduzir a presença de potências concorrentes e assegurar controle direto ou indireto sobre ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestrutura. O Brasil ocupa posição central nesse projeto por sua dimensão territorial, produção de alimentos, petróleo, minerais críticos, biodiversidade, capacidade industrial e autonomia diplomática.

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Não estamos diante de uma disputa retórica entre direita e esquerda. Está em curso uma controvérsia mais antiga e profunda, envolvendo a soberania de um país continental e os interesses de uma potência que voltou a tratar a América Latina como extensão de sua área de influência.

DEMOCRACIA

O povo brasileiro tem o direito de escolher seu governo sem tarifas punitivas, ameaças diplomáticas, chantagens econômicas ou operações estrangeiras de desinformação. Nenhum candidato pode apresentar-se como defensor da pátria enquanto procura fora do país instrumentos para constranger instituições brasileiras e alterar o curso de uma eleição.

A atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos ultrapassou os limites de uma relação política entre correntes ideológicas semelhantes. Eduardo Bolsonaro trabalhou junto a autoridades norte-americanas pela imposição de sanções contra ministros, instituições e interesses econômicos brasileiros. Essa atuação produziu consequências concretas e foi examinada pelo Supremo Tribunal Federal.

Mais recentemente, vieram a público documentos e negociações que relacionam pressões comerciais norte-americanas às eleições de 2026, ao acesso a minerais críticos e a decisões estratégicas da economia brasileira. Também se anuncia uma disposição de reorganizar as relações entre Brasil e Estados Unidos segundo os termos políticos definidos por Washington.

O problema não está na cooperação com os Estados Unidos, parceiro histórico e relevante. O Brasil precisa manter relações maduras com Washington, Pequim, Bruxelas, Nova Délhi, os países africanos, latino-americanos e demais centros da economia mundial. O risco aparece quando cooperação passa a significar alinhamento compulsório, tutela política ou entrega de ativos nacionais.

Um governo brasileiro não pode ser planejado como franquia ideológica da Casa Branca.

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O governo brasileiro precisa ser julgado pelo conjunto de sua obra

O governo Lula deve ser cobrado por seus erros fiscais, hesitações administrativas, concessões políticas e dificuldades de comunicação. Nenhuma administração democrática pode reivindicar imunidade à crítica.

O julgamento honesto, entretanto, precisa considerar o país recebido, as condições de governabilidade e os resultados alcançados. O Brasil atravessou quatro anos de crescimento econômico, registrando expansão do PIB de 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025. A taxa de desemprego caiu para 5,6% em 2025, e o rendimento domiciliar real por pessoa alcançou o maior valor da série histórica iniciada em 2012.

O país permanece fora do Mapa da Fome. Segundo relatório da FAO, 16,7 milhões de brasileiros deixaram a condição de insegurança alimentar severa no triênio encerrado em 2025. São resultados concretos de uma combinação entre emprego, aumento da renda, proteção social, crédito, agricultura familiar e políticas públicas de alimentação. Esses avanços não autorizam complacência com desperdícios. Mostram que parte do gasto público combatido pelos críticos liberais chega à mesa, à escola e à vida de milhões de pessoas. Relatório da FAO e indicadores brasileiros

Na área ambiental, os alertas de desmatamento caíram 35% na Amazônia em período recente monitorado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Ainda há destruição, garimpo ilegal, queimadas, violência territorial e omissões graves. A mudança de trajetória, porém, precisa ser reconhecida porque representa fiscalização retomada, presença do Estado e reconstrução da política ambiental. Dados do INPE

Responsabilidade fiscal não pode ser seletiva

O desequilíbrio das contas públicas exige respostas. A estabilidade fiscal interessa principalmente aos pobres, os primeiros atingidos pela inflação, pelo desemprego e pela deterioração dos serviços públicos. Mas responsabilidade fiscal não pode servir como argumento seletivo contra programas sociais, proteção ambiental, ciência, saúde, educação e investimentos regionais.

É preciso discutir simultaneamente o crescimento das emendas parlamentares, os benefícios tributários sem avaliação, os privilégios corporativos, a apropriação privada de recursos públicos, o custo dos juros e a transferência de parcelas crescentes do orçamento para um Congresso que assumiu poder financeiro sem assumir, na mesma proporção, responsabilidade pelos resultados nacionais.

Durante todo o atual mandato, o governo conviveu com uma maioria parlamentar conservadora, fragmentada e interessada em controlar fatias crescentes do orçamento. Essa composição limitou políticas, impôs negociações difíceis e ajudou a transformar a governabilidade numa disputa permanente por recursos.

Responsabilizar exclusivamente o presidente pelo resultado dessa engrenagem significa absolver o Congresso que vota despesas, amplia emendas, bloqueia prioridades e depois atribui toda a conta ao Executivo.

A Amazônia está no centro da disputa

Para a Amazônia, o debate sobre soberania possui materialidade diária. Estão em jogo água, petróleo, gás, minerais críticos, terras raras, biodiversidade, conhecimento genético, produção de alimentos e uma floresta decisiva para o regime de chuvas da América do Sul.

A região não pode continuar sendo observada apenas como reserva de matérias-primas, território militarmente sensível ou ativo ambiental disponível para negociações conduzidas a milhares de quilômetros de suas populações.

Também recusamos o falso dilema que separa soberania e preservação. A floresta destruída empobrece o Brasil, compromete a agricultura, afeta a geração de energia, intensifica eventos climáticos extremos e elimina oportunidades científicas, tecnológicas e econômicas que sequer foram plenamente conhecidas.

Defender a Amazônia significa assegurar presença do Estado, fiscalização, ciência, infraestrutura adequada, educação, saúde, conectividade e atividade econômica compatível com a floresta em pé. Significa igualmente garantir os direitos dos povos indígenas, das comunidades tradicionais e dos milhões de brasileiros que vivem nas cidades amazônicas.

Nenhuma potência estrangeira, empresa multinacional ou grupo político pode negociar o futuro da Amazônia como pagamento por apoio eleitoral ou proteção diplomática.

A doutrina Donroe e o retorno da tutela

A política externa de Donald Trump recupera a velha Doutrina Monroe em linguagem mais agressiva. A chamada “Donroe” considera o Hemisfério Ocidental uma área sujeita à supremacia econômica, militar e política dos Estados Unidos. Tarifas são usadas como instrumento de pressão; sanções procuram interferir em decisões judiciais; minerais, petróleo e infraestrutura entram nas negociações; governos alinhados recebem apoio, enquanto os demais são submetidos a ameaças.

Essa política já produz guerras, instabilidade energética, insegurança no mercado do petróleo e tensões comerciais com efeitos sobre preços, investimentos e cadeias de abastecimento em todo o mundo.

A direita bolsonarista aderiu a esse abecedário sem apresentar um projeto brasileiro de desenvolvimento. Seu programa resume-se cada vez mais à hostilidade contra o Supremo, à submissão diplomática a Washington, à entrega de recursos estratégicos e à transformação do ressentimento político numa forma de governo.

Faltam respostas para industrialização, desigualdade, mudanças climáticas, segurança pública, transição energética, desenvolvimento regional, ciência, educação e integração da Amazônia. Sobra disposição para entregar a política externa brasileira aos interesses eleitorais de Donald Trump e Marco Rubio.

Democracia também é desenvolvimento

A democracia brasileira contém problemas conhecidos. O sistema partidário é fragmentado, o orçamento perdeu transparência, o Congresso ampliou poderes sem controles proporcionais, o Supremo acumulou protagonismo e o Executivo depende de negociações permanentes. Reformar essas instituições é parte da defesa democrática.

Destruí-las, intimidá-las ou submetê-las a outro país abriria caminho para uma forma de autoritarismo associada à dependência externa.

A eleição precisa discutir o custo real das escolhas. Quanto custaria abandonar políticas de combate à fome? Quanto custaria interromper a proteção da Amazônia? Quanto custaria entregar minerais críticos sem política industrial? Quanto custaria romper relações com parceiros comerciais para obedecer às prioridades de Washington? Quanto custaria um governo que chegasse ao poder comprometido com interesses estrangeiros antes mesmo de prestar compromisso ao povo brasileiro?

São essas contas que a retórica do corte de gastos costuma ocultar.

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O Brasil Amazônia Agora toma partido. É partido do Brasil, da Constituição, da soberania popular, da proteção social, da ciência, da indústria e da floresta em pé.

Defendemos o direito do governo brasileiro de manter relações com todas as nações sem receber ordens de nenhuma delas. Defendemos eleições livres de interferência estrangeira. Defendemos a Amazônia como parte inseparável de um projeto nacional de desenvolvimento. Defendemos que políticas públicas sejam avaliadas por seus resultados econômicos, sociais e ambientais, e que o equilíbrio fiscal seja perseguido com justiça, transparência e responsabilidade compartilhada.

O atual governo representa, com suas virtudes e limitações, uma coalizão democrática que reconduziu o Brasil ao diálogo internacional, recuperou políticas sociais, reduziu o desemprego, enfrentou o desmatamento e preservou espaço para uma diplomacia autônoma.

O que se oferece do outro lado é uma aventura cercada de sinais inquietantes: submissão à política de Trump, articulação por sanções contra o próprio país, ameaça permanente às instituições, cobiça sobre recursos estratégicos e disposição de transformar a soberania brasileira em moeda de troca.

A Amazônia conhece o preço histórico do abandono, da exploração predatória e das decisões tomadas sem ouvir quem vive na região. Por isso, não pode permanecer silenciosa diante da possibilidade de que seu território, seus minerais, suas águas e sua biodiversidade sejam incorporados a uma negociação política conduzida por aventureiros.

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BRASIL AMAZÔNIA AGORA
Democracia, soberania e floresta em pé

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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