Mais impostos, NÃO!!!

Na tabulação de medidas do novo ajuste fiscal do governo, ficou configurada a inépcia, um evidente descompasso para compatibilizar arrecadação, uma das maiores do planeta, com os gastos públicos. Gasta-se muito e gasta-se mal, à luz dos indicadores de saúde, educação, habitação e segurança. E mais, o grupo político que aí está tem sido protagonista de denúncias diárias malversação dos recursos públicos, numa relação assustadora de incúria e má-intenção que estão levando à prisão lideranças partidárias e das grandes empreiteiras do Brasil, apontado para as novas gerações caminhos tortuosos de realização pessoal e conquista patrimonial. Por este cenário, é inaceitável a decisão política de recorrer a mais apertos tributários para cobrir os rombos. É injusto, e novamente criminoso, exigir que trabalhadores e empreendedores que escolheram as vias do batente laboral, sejam mais uma vez penalizados por decorrência da irresponsabilidade no trato do interesse público. Empresários e representantes da indústria, do varejo e do setor de serviços se postam duramente contrários as medidas de ajuste fiscal anunciadas nesta segunda (14) pelo governo como a elevação de tributos, como a volta da CPMF, e a retenção de parte das verbas do Sistema S – conjunto de nove instituições de categorias profissionais, como Sesc, Senai, Sebrae e Senac. Para quem trabalha mais de 5 meses por ano para atender a sanha tributária, a demagogia de cortes tímidos no gasto público atrelada ao aumento da cangalha tributária, não faz sentido e deve ser execrada.

Irônico e desrespeitoso

Para o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Andrade, é preciso “negociar a forma como estes cortes vão acontecer”. A conta não bate e não será aceita se não houver mais apertos na gastança federal para alcançar os R$ 34,4 bilhões de superávit. O corte linear do Sistema S, para aliviar o rombo da Previdência, vai prejudicar Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que contam com recursos para bancar programas profissionalizantes. Tratam-se aqui das exitosas iniciativas de benefícios, e de retorno em termos de promoção humana com os recursos pagos em forma de imposto pelo próprio setor produtivo. A redução nas verbas do Sistema S foi criticada também pela Abimaq, associação que reúne fabricantes de máquinas, e pela Fecomercio SP. E o que é mais revoltante para a classe empresarial é que os cargos dos afilhados políticos não foram mencionados, nem os recursos desviados colocados a ordem do dia para a recuperação. “O governo não cortou nada na carne. O que houve foi falta de transparência e uma transferência da conta a ser paga para a sociedade”, disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ao se referir à CPMF. O líder empresarial considerou deselegante o ministro Joaquim Levy, da Fazenda, de modo irônico, dizer que a medida é “um aumentozinho de tributo”. “Um desrespeito. O Brasil não precisa de ministro para aumentar imposto, mas, sim, para combater a corrupção, reduzir o tamanho do Estado. O gastão da história é o governo, não são as famílias.”

O golpe no Sistema S

O corte das verbas do Sistema S, uma letra que traduz um portfólio robusto de Seriedade, Solidariedade, Saída, Solidez, Solução, entre outros acertos, atinge o SENAI, entre tantos outros módulos de eficiência e resultados em favor dos jovens, dos desesperançados da periferia das grandes cidades, do sertão nordestino, do beiradão amazônico. Recentemente, responsável pela organização da WorldSkills 2015, em São Paulo, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), reconhecido como um dos cinco maiores complexos de educação profissional do mundo e o maior da América Latina, ficou no topo do ranking de habilidades, com destaque para a delegação do Amazonas. Seus cursos, oferecidos em todo o Brasil, formam profissionais para o desenvolvimento de diferentes áreas da indústria brasileira, desde a iniciação profissional até a graduação e pós-graduação tecnológica. No Polo Industrial de Manaus, onde o ISI, Instituto Senai de Inovação, constrói uma referência nacional em Microeletrônica, com biosensores para os bionegócios da floresta, SENAI estimula a inovação da indústria. Em todo o país, de forma integrada, e por meio de consultoria e do incentivo a ações das empresas, este S envolve pesquisa aplicada e significa Serviços técnicos e tecnológicos de alta qualidade. Ao longo de seus 73 anos de existência, qualificou mais de 61 milhões de profissionais. Em 2013, ultrapassou a marca de 750 mil matrículas em cursos a distância. Além disso, é o principal parceiro do governo do Brasil no Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Hoje, a instituição é responsável pela maioria das matrículas oferecidas pelo programa de formação tecnológica. A incúria na gestão do Brasil vai atingir frontalmente este acerto.

Serviços essenciais à cidadania

Atualmente, o SENAI conta com 1017 unidades, dentre fixas e móveis, nas quais são ministrados cursos de capacitação profissional e prestados serviços em 28 áreas industriais. Antônio Silva, presidente do Sistema S no Amazonas, e vice-presidente da CNI, lembrou que o SENAI já participou de 16 edições da WorldSkills e possui expertise na organização de grandes competições, como a própria Olimpíada do Conhecimento, a etapa nacional que classifica competidores para o mundial. A Olimpíada é a maior competição de educação profissional das Américas, uma iniciativa que tem o apoio de mais de 50 empresas e organizações. No exterior, o SENAI, juntamente com o SESI e o IEL, mantém 75 parcerias internacionais em 45 países, como Estados Unidos, Canadá, Suécia, Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau. Em 2013, dez centros de educação profissional, liderados pelo SENAI estavam operando em diferentes países ao redor do mundo. O amazonense Maurício Duarte Ferreira, de 20 anos, conquistou Medalha entre os 56 alunos da Rede SENAI, que representaram o Brasil no Worldskills Competition. Ele recebeu o prêmio de R$ 2 mil de Moysés Israel, vice-presidente da FIEAM, do general Theóphilo, comandante do CMA, Sérgio Fontes, secretário de Segurança, Aldemurpe Barros, diretor do Senai-AM, na quinta-feira passada, na batuta emocionada do presidente da FIEAM, Antônio Silva.

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. 
Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]
Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

Artigos Relacionados

O Amazonas precisa de escolhas à altura de seu povo

"Examinar trajetórias, cobrar preparo e reconhecer o espírito público...

Conheça as propostas de meio ambiente dos candidatos ao governo do Mato Grosso 2026

Conheça as propostas dos principais candidatos ao governo de Mato Grosso para bioeconomia, desmatamento, povos indígenas, energia e clima.

Segurança no trânsito em Manaus: Abraciclo celebra 50 anos em nome da vida

"Na Semana Nacional de Trânsito, a entidade que representa...

O compromisso com o Amazonas atravessa as eleições

“Sem vinculação partidária ou eleitoral, o CIEAM tem razões institucionais para cobrar a preservação das garantias da Zona Franca e a transformação dessas conquistas em investimento, emprego e desenvolvimento regional.”