Mais de 700 pinguins são encontrados mortos no litoral de São Paulo em uma semana

IPeC registrou morte de mais de 700 pinguins-de-magalhães em Cananéia, Iguape e Ilha Comprida; especialistas citam migração longa, escassez de alimento e pesca como causas.

Entre os dias 15 e 21 de agosto, mais de 700 pinguins em estágio avançado de decomposição foram encontrados no litoral sul de São Paulo. Segundo o Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), 739 animais foram registrados mortos nas praias de Cananéia, Iguape e Ilha Comprida.

As causas da mortalidade ainda não foram confirmadas, mas especialistas apontam hipóteses como a longa migração, dificuldade em encontrar alimento, parasitoses, doenças infecciosas e interação com a pesca. O biólogo Alex Ribeiro destacou que muitos dos animais aparentam ser jovens e inexperientes, o que aumenta os riscos durante a primeira migração. “Às vezes, na primeira viagem, não estão muito bem orientados e acabam se perdendo”, disse.

Imagem da praia de Ilha Comprida, uma das partes do litoral de São Paulo em que foram encontrados os mais de 700 pinguins mortos.
Foto aérea de Ilha Comprida. Foto: Praias de Ilha Comprida.

O biólogo William Rodriguez Schepis ressaltou a possibilidade de interação com redes de pesca, já que os animais não têm valor econômico e podem ser descartados no mar ao serem encontrados nas redes. Apesar do número elevado, ele ponderou que o fenômeno também pode estar ligado à seleção natural, já que apenas na Patagônia argentina há mais de 1 milhão de exemplares.

O aparecimento de mais de 700 pinguins coincide com o período migratório, que vai de junho a setembro, quando a espécie percorre milhares de quilômetros até o litoral do Uruguai e do Brasil. A longa viagem enfraquece muitos animais. Segundo o biólogo Rafael Santos, as águas do Sudeste não oferecem alimento suficiente para grandes bandos, que podem chegar a 15 mil animais. “A maioria que encalha tem características muito parecidas: São animais que estão magros e a grande maioria é filhote”, relatou.

O IPeC orienta que moradores e turistas que encontrarem animais marinhos debilitados na região entrem em contato pelos telefones (13) 3851-1779, 0800 642 3341 ou (13) 9 9691 7851 (WhatsApp).

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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