Lei do Pantanal é sancionada buscando garantir preservação do bioma

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, sancionou a Lei do Pantanal, focada em conservação e uso sustentável do bioma, em resposta ao aumento de 25,4% no desmatamento da região.

Eduardo Riedel, governador do Mato Grosso do Sul, assinou a Lei do Pantanal, que tem o objetivo de fomentar a conservação, a proteção, a restauração e o uso sustentável do bioma. A lei, que foi sancionada em Campo Grande no dia anterior (18), resultou de uma colaboração com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Ela inclui diretrizes para a agricultura, a pecuária e um fundo destinado a programas de pagamento por serviços ambientais.

Esta legislação, válida por 60 dias a partir de sua publicação, coloca o Pantanal como uma área de alta prioridade para compensações ambientais e reserva legal. Exige também que as propriedades rurais mantenham 50% de sua área com vegetação nativa ou de Cerrado, e 40% em áreas com vegetação campestre.

A remoção de vegetação nativa só será permitida mediante a inscrição e aprovação no Cadastro Ambiental Rural, a ausência de infrações ambientais nos últimos três anos, e a aprovação de estudos de impacto ambiental para áreas maiores que 500 hectares. Cultivos exóticos como soja e cana-de-açúcar serão proibidos, exceto para subsistência, e os já existentes não poderão ser ampliados.

Declarações de Marina Silva

Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, enfatizou que a lei ajudará na preservação dos biomas do Pantanal e do Cerrado, contribuindo para o desenvolvimento sustentável. Ela destacou a possibilidade de o Brasil se tornar uma nação próspera economicamente, justa socialmente e sustentável ambientalmente.

Ministra Marina Silva discurso durante comemoracao do 34o aniversario do Ibama. Foto Ascom MMA Flickr
foto: Ascom/MMA

A lei também estipula a proibição do confinamento de gado, exceto em situações já existentes ou em casos excepcionais. Será permitido o pastoreio extensivo em Áreas de Proteção Permanente e Reservas Legais, desde que a preservação não seja afetada. Novas atividades de carvoaria, construções que alterem o regime hidrológico e a introdução de espécies exóticas de fauna serão proibidas.

Fundo Clima Pantanal e Investimentos

O MMA anunciou a criação do Fundo Clima Pantanal, que será financiado por multas ambientais e outras fontes, com foco na proteção e recuperação de nascentes e áreas degradadas. O governo do Mato Grosso do Sul espera um investimento de R$ 50 milhões em 2024 para o fundo.

Eduardo Riedel encerrou com uma declaração sobre a importância da lei para o Mato Grosso do Sul e para o mundo, ressaltando o papel da ciência nas decisões e a disposição de recorrer a ela em caso de dúvidas.

Desmatamento no Pantanal Sul-Mato-Grossense

Entre 2016 e 2022, o desmatamento no Pantanal sul-mato-grossense atingiu 3.517 quilômetros quadrados, um aumento de 25,4% em comparação com os 2.622 km² observados de 2009 a 2015. Esses dados foram fornecidos pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Lei do Pantanal é sancionada buscando garantir preservação do bioma

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) identificou, por meio de uma nota técnica, que os critérios utilizados por Mato Grosso do Sul para autorizar a remoção de vegetação nativa não estavam alinhados com o artigo 10 do Código Florestal. A nota sugeriu a necessidade de regulamentar esse artigo, enfatizando a importância da conservação e do uso sustentável do Pantanal, além de recomendar a suspensão dos efeitos das normas estaduais.

Em resposta, o governador do estado, em agosto, paralisou todas as licenças e autorizações para a supressão de vegetação na região. Buscando uma solução coordenada, ele iniciou um esforço conjunto com o MMA e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Foi formado um grupo de trabalho, composto por representantes do MMA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do ICMBio e do governo estadual, com o objetivo de elaborar um anteprojeto de lei. Este anteprojeto foi apresentado à Assembleia Legislativa e aprovado recentemente, com 23 votos a favor e um contra.

Com informações da Agência Brasil

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Inmetro reposiciona a regulação como aliada da competitividade na Amazônia

"Aproximação com o Polo Industrial de Manaus, expansão da...

Do silêncio à dignidade: dois anos de escuta, compromisso e transformação

"Dois anos de escuta que transformam silêncio em proteção,...

Facções na Amazônia transformam crimes ambientais em negócio lucrativo

Estudo revela como facções na Amazônia exploram crimes ambientais, ampliam lucros ilegais e intensificam conflitos e impactos socioambientais.

Entenda como o futuro do planeta passa pela mineração em terras indígenas

Mineração em terras indígenas cresce com demanda por minerais críticos e expõe conflito entre clima, economia e direitos territoriais no Brasil.