Laudato si’ preenche lacuna entre fé e ciência, diz cientista do clima

Após o encontro do Papa Francisco com os membros do Movimento Laudato si’, o cientista Gregory Asner explicou ao Vatican News que a ciência pode oferecer ferramentas no esforço de pesquisar e combater as mudanças climáticas.

Laudato si’ fala para as pessoas de uma forma que um cientista não consegue. O Papa Francisco realmente nos dá um presente para comunicar onde a ciência atua na ecologia integral, como parte de uma responsabilidade maior”.

Essa observação resume para um cientista a contribuição do Papa para a promoção da ecologia integral entre pessoas de todas as religiões.

De acordo com Gregory Asner, cientista do clima e da biodiversidade nascido nos Estados Unidos, fé e ciência podem trabalhar juntas na questão das mudanças climáticas e não se opor, como se pode observar na Encíclica do Papa de 2015. 

Asner, que é diretor da School of Geographical Sciences & Urban Planning (Tempe, Arizona) e entre 1995 e 2005 mapeou o desmatamento ilegal na Amazônia – falou com nosso colega Jean-Charles Putzolu após uma delegação do Movimento Laudato Si (novo nome Movimento Global Católico pelo Clima desde julho) ser recebida pelo Papa Francisco na quinta-feira, 26. Encontro do qual participaram duas lideranças indígenas da terra indígena Maró, oeste do Pará.

Fé e ciência trabalham juntas

“Ouvindo o Papa Francisco, a Igreja e Laudato si’, vejo um entendimento de que [a questão da mudança climática e da biodiversidade] é crítica”, disse Asner. “Temos que desempenhar um papel na melhoria das nossas condições em todo o planeta para as pessoas e para a natureza.”

A ciência e a fé, acrescentou ele, podem “absolutamente” trabalhar juntas para atingir esse objetivo.

Em suas viagens por muitas nações do mundo, o cientista se depara muitas vezes com a ideia de que ciência e fé se opõe uma à outra.

Ele observa, no entanto, que sua formação mostrou que as duas são importantes, mas por razões diferentes.

“A fé nos dá bússola, compreensão e muito mais do que a ciência nos dará”, disse Asner. “Mas a ciência nos dá algo único: ferramentas.”

As ferramentas oferecidas pela ciência, acrescentou, podem nos ajudar a passar dos pontos A para B e melhorar nosso mundo.

A ciência oferece ferramentas

Referindo-se a seu próprio país, os Estados Unidos, Asner disse que muitas vezes ouve pessoas quase elevando a questão mudança climática ao nível de crença, dizendo “Eu não acredito nas mudanças climáticas”.

Sua resposta é que as mudanças climáticas não são uma crença, mas uma medição científica que usa ferramentas.

“É difícil para as pessoas perceberem que a ciência não está em combate com a crença; é um instrumento, uma ferramenta, uma forma de navegar para a frente”, disse ele, oferecendo o exemplo de ligar os faróis de um carro durante a condução à noite. “Eles apenas me mostram para onde ir.”

Laudato si’ preenche uma lacuna

A Encíclica Laudato si’, de acordo com Asner, preenche a lacuna entre a fé e a ciência, chamando-a de “uma perspectiva única”.

A mentalidade do Papa, disse ele, é que as duas trabalhem juntas. “A crença – seja qual for o sistema de crença com o qual você se associa – não pode ignorar o fato de que a ciência está falando alto, nos dizendo que temos que mudar nossos hábitos, a maneira como estamos consumindo os recursos da terra e mudar o estresse que colocamos nos ecossistemas, na biodiversidade , e o clima.”

Ele defende que a humanidade deve “assumir a responsabilidade pelo que nos foi dado – esta terra – e cuidar dela.”

Fonte: Vatican News

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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