Gigantes do agro mantiveram relações comerciais com produtores irregulares em Terras Indígenas

Sete empresas relacionadas ao agronegócio, como General Mills, da Yoki, mantiveram relações comerciais com fazendeiros autuados pelo Ibama por cultivo irregular dentro de território indígena.

Segundo investigação da Joio e o Trigo, sete gigantes do agronegócio (Bunge, Cargill, Cofco, Amaggi, ADM do Brasil, Viterra e General Mills) compraram soja e milho de fazendeiros que receberam multas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) por cultivarem irregularmente dentro de Terras Indígenas. Isso porque esses produtos foram plantados sem licenciamento nos territórios de povos originários no estado do Mato Grosso, saindo do plantio ilegal para o armazéns de algumas das maiores empresas globais de commodities.

As negociações de soja e milho ocorreram em 2018 e 2019. Nesse período, havia embargo do Ibama sobre as áreas de plantio, justamente pelo cultivo irregular. A legislação brasileira veda o cultivo de organismos geneticamente modificados em Terras Indígenas. Em 2018, Eleonor Ogliari, um dos produtores, recebeu uma multa de quase R$ 9 milhões por manter atividade agrícola na Terra Indígena Pareci e por impedir a regeneração da mata nativa em 1,6 mil hectares do território. Foi dessa propriedade que Bunge, Cargill e Cofco compraram milho e soja, nos anos citados. Entre outros produtores multados, estão Jacs Tadeu Ventura, José Carlos Acco, Eleonor Ogliari, Edson Fermino Bacchi e Rogério Acco. 

Segundo a apuração da Joio junto com a Repórter Brasil, a soja e o milho plantados em área com irregularidade podem ter sido incorporados às exportações brasileiras. Essas vendas podem ter chegado, inclusive para mercados que se apresentam como ambientalmente responsáveis.

Terras indígenas Brasil

Problema ainda sem solução

Mesmo com esforços para reduzir essas triangulações e com aplicação de tecnologias pelas empresas que compram, essas técnicas de verificação levam em conta a origem declarada da soja pelo produtor. Então, ainda não há uma solução que efetivamente impeça a lavagem dos grãos, advindos de cultivos irregulares. Além disso, esse processo foi dificultado por alguns fatores, como em 2019, com o desembargo das áreas de monocultura e cancelamento de todas as multas aplicadas por irregularidades cometidas no território por parte do presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, do governo de Jair Bolsonaro.

Em resposta, a maioria dessas gigantes do agronegócio garantiu que mantém um “rígido controle” sobre a situação socioambiental de seus fornecedores. Os produtores também foram questionados, mas Eleonor Ogliari e José Carlos Acco informaram que não comentariam os fatos apurados. Mesmo com inúmeras tentativas da Joio de falar com Jacs Tadeu Ventura, Rogério Acco e Edson Fermino Bachi, não foi possível localizá-los.

Originalmente publicado por: REVISTA FÓRUM

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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