Indústria europeia pressiona UE por taxa de carbono sobre importações

A discussão em torno de uma taxa de carbono sobre as importações da Comunidade Europeia seguem agitadas. Internamente, setores industriais temem a perda de competitividade em face de um preço de carbono alto e com tendências a subir ainda mais. Uma matéria do Financial Times conta que autoridades lhes disseram que, pelo menos no começo, esta taxa de carbono deve valer para aço, cimento, geração de energia e alguns produtos químicos. Na mira, o aço e os químicos chineses e indianos, cimento de plantas europeias do outro lado do Mediterrâneo e a geração elétrica do leste da Europa. Vale mencionar que a celulose do Brasil também pode entrar na mira da taxa. O Valor publicou uma tradução do artigo. O FT trouxe outra matéria comentando as disputas relativas à taxa.

Do lado de fora das fronteiras da UE, os atingidos pela taxa levantam a possibilidade de apelar à OMC. Assis Moreira, no Valor, fala dos problemas levantados pelo Brasil na organização em relação à taxa que vão desde tecnicalidades como a linha de base da intensidade de emissões dos produtos até um pouco mais morais, como o fato da Europa não estar contribuindo para o Fundo Verde do Clima como havia prometido.

O mercado europeu está por trás das discussões da taxa de importação. O preço da tonelada está em um patamar recorde, em torno de 50 euros. Para se ter uma ideia do tamanho deste mercado, participam mais de 11.000 empresas dos principais setores emissores. Cada uma tem uma meta de emissões definida a partir do seu histórico. Uma parcela significativa delas recebe gratuitamente um volume de permissões abaixo desta meta. Para atingi-la, ela deve reduzir suas emissões e/ou comprar permissões de outras empresas ou do próprio regulador. O volume atual de permissões no mercado é de cerca de 2 bilhões de toneladas e a meta global prevê a redução desse volume em 1,5% ao ano.

A Carbon Market Watch publicou um artigo interessante sobre a necessidade de aprimorar este mercado, acelerando a redução dos volumes de permissões e fechando brechas por onde empresas tentavam escapar ou diminuir suas obrigações. Ela propõe a retirada imediata de 450 milhões de permissões e mais do que dobrar a taxa de redução.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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