‘Indústria destruída’

O país se mobiliza. E suas forças produtivas se recusam a receber passivamente as medidas de seu tropeço. Mais do que nunca assumem, por dever e responsabilidade, o protagonismo das decisões. Não é apenas a indústria que se vê destruída a cada dia. São as utopias de uma sociedade. Basta de assentir com a insensatez de medidas temerárias que põem em risco a história de vida e de luta de cada um, dos percalços para construir um país próspero, fazer de um país grandioso em recursos uma nação respeitada e respeitável. E essa consciência e insistência no protagonismo estão na raiz de um Documento – em fase final de edição – que reconhece nas taxas de juros, câmbio, burocracia e carga tributária, as bases de corrosão da competitividade que está destruindo a indústria brasileira. As entidades de classe do setor produtivo, unidas às centrais sindicais mais representativas do país, decidiram somar esforços para pedir mudanças na política econômica e medidas que permitam estancar a chamada “desindustrialização”, recuperar a competitividade do setor produtivo brasileiro e a manutenção dos empregos. O Documento ganhou a adesão das lideranças empresariais da Zona Franca de Manaus e se fará acompanhar de outra manifestação, a ser encaminhada aos parlamentares federais do Amazonas, para que acompanhem a discussão da matéria no Congresso com a informação sobre seus reflexos e estragos na economia local e regional.

Competitividade e Desenvolvimento

O Manifesto, denominado Capital-Trabalho, uma coalização para a competitividade e o desenvolvimento equivale a um levante político dos mais densos. Trata-se do resultado de mobilização das categorias que geram riqueza no país, pagam a “parte do leão” em termos de percentual tributário e são coagidas a aceitar medidas descabidas para corrigir ações e distorções administrativas. Ali está expressa a participação de mais de 40 entidades industriais, pilotada pelas lendárias e combativas Associação Brasileira da Industrial Têxtil e de Confecção(Abit), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Câmara Brasileira da Indústria a Construção (CBC), o Instituto Aço Brasil, (IAB) além das principias centrais sindicais como Força Sindical e CUT. A intenção é divulgar o documento junto à opinião pública, endereçá-lo à presidente Dilma Rousseff e envolver o tecido social no debate das questões que lhe dizem respeito, interferem em sua vida e podem modificar seu futuro.

Câmbio, juros, tributos, infraestrutura

Como fazer ajuste fiscal em cima de aumento de impostos e redução de investimentos, sem mexer no custeio. Todos defendem ajuste da Economia, mas a expectativa, ao menos da área industrial, era que o ajuste fosse feito muito mais voltado para corte de despesas. Reduzir o Reintegra, o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários, de 3% para 1%, tem um impacto perverso no setor. Ninguém tem dúvida que o ajuste fiscal é prioridade absoluta e tem por objetivo criar condições para que o país cresça. Mas se não tiver indústria, na hora que estiver pronto o ajuste, não haverá crescimento. O dólar ainda está defasado historicamente, e no médio prazo será absorvido nas empresas da ZFM. O problema assustador é questão dos juros, que com esse novo aumento piorou ainda mais, voltou a ser o mais alto do planeta, a carga tributária, a falta de infraestrutura que afeta custos de logística.

Sequela social

O compromisso de empresários e sindicatos é algo extraordinário e tem razão pontual, decisiva… salvar a indústria. O emprego entra em queda, muitas indústrias estão fechando, outras indo embora. O remédio está errado. Cortar a cabeça de quem está com dor de cabeça não resolve o problema, agrava. O ajuste fiscal tem outras frentes a atacar como a taxação de grandes fortunas e da remessa de lucro das empresas, argumentam os representantes de trabalhadores. Segundo informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em janeiro as demissões superaram as contratações em 81.774 empregos. Foi o pior resultado para meses de janeiro desde 2009. Em Manaus, a situação não é diferente. No setor de construção, janeiro é o mais negativo desde 2008. É preciso rever o foco de política econômica, que só reduz a atividade econômica. Não somos contra ninguém. O que queremos discutir e propomos são diretrizes na linha de não ser criar um ambiente recessivo.

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Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]
Redação BAA
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Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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