Indústria de motocicletas cresce 12% no trimestre e março bate recorde no Polo de Manaus

A indústria de motocicletas do Polo Industrial de Manaus atravessa um momento de afirmação. Os números do primeiro trimestre de 2026 não apenas confirmam o aquecimento do setor, como também ajudam a dimensionar o papel estratégico dessa cadeia produtiva na economia regional e nacional.

Entre janeiro e março, foram produzidas 561.448 motocicletas, volume que representa um crescimento de 12,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Trata-se do segundo melhor resultado da história para um primeiro trimestre, o que reforça a consistência do desempenho recente da indústria de duas rodas no país.

O dado ganha ainda mais relevância quando observado o comportamento de março. O mês encerrou com 212.716 unidades produzidas, estabelecendo um recorde histórico para o período. Em termos comparativos, o avanço foi de 34,5% frente a março de 2025 e de 29,6% em relação a fevereiro. Não se trata de um salto pontual, mas de uma trajetória que combina demanda aquecida, capacidade produtiva consolidada e um parque industrial que responde com eficiência.

industria de motocicletas

A composição dessa produção revela também um padrão bastante definido. As motocicletas de baixa cilindrada seguem como eixo central do mercado, com 435.731 unidades no trimestre, o equivalente a 77,6% de todo o volume fabricado. São veículos diretamente associados à mobilidade urbana acessível, ao transporte individual de baixo custo e, cada vez mais, ao trabalho por aplicativos e à logística de última milha.

As motos de média cilindrada aparecem na sequência, com 110.405 unidades e participação de 19,7%. Já as de alta cilindrada somaram 15.312 unidades, representando 2,7% da produção. A mesma hierarquia se manteve em março, indicando estabilidade no perfil de consumo e na estratégia das montadoras instaladas no PIM.

Se a produção avança, o varejo responde na mesma intensidade. No acumulado do primeiro trimestre, foram licenciadas 571.728 motocicletas, resultado 20,6% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Março, mais uma vez, se destacou: 221.618 unidades emplacadas, com crescimento de 33,5% na comparação anual e de 29,2% frente a fevereiro.

A média diária de vendas, considerando 22 dias úteis, alcançou 10.074 motocicletas. O número, por si só, sintetiza o momento do setor: trata-se de um mercado que não apenas cresce, mas que se amplia de forma consistente, incorporando novos consumidores e reforçando o papel da motocicleta como solução de mobilidade e geração de renda.

No plano externo, as exportações também apresentam trajetória positiva. No primeiro trimestre, foram embarcadas 11.441 unidades, crescimento de 18,6% em relação ao ano anterior. Em março, os envios ao exterior totalizaram 4.606 motocicletas, com alta de 13,9% na comparação anual e de 29,1% frente a janeiro.

Ainda que o mercado interno continue sendo o principal motor do setor, os dados de exportação indicam um movimento gradual de ampliação de presença internacional, sustentado pela qualidade do produto nacional e pela competitividade do parque industrial brasileiro.

As projeções para o fechamento de 2026 mantêm esse cenário de expansão moderada e sustentada. A Abraciclo estima a produção de 2.070.000 motocicletas, crescimento de 4,5% em relação a 2025. No varejo, a expectativa é de 2.300.000 unidades licenciadas, avanço de 4,6%. Já as exportações devem alcançar 45 mil motocicletas, com aumento de 4,4%.

O setor, no entanto, não ignora os riscos. Entre os fatores de atenção estão o ambiente internacional, marcado por incertezas econômicas e geopolíticas, e questões regionais, como a possibilidade de uma nova estiagem severa na Amazônia, com impactos logísticos relevantes para o Polo Industrial de Manaus.

Nesse contexto, a fala do presidente da Abraciclo, Marcos Bento, reflete um equilíbrio entre confiança e cautela. O desempenho atual é consistente, mas exige monitoramento contínuo das variáveis que podem afetar custos, abastecimento e escoamento da produção.

O ano de 2026 também carrega um valor simbólico para o setor. A Abraciclo completa 50 anos de atuação, consolidando-se como uma das principais entidades de articulação industrial do país. Desde 1976, sua trajetória está associada ao fortalecimento da indústria nacional de duas rodas, com atuação estruturada em três pilares: política industrial, segurança viária e desenvolvimento técnico.

Ao longo dessas cinco décadas, o Brasil se firmou como um dos maiores produtores globais de veículos de duas rodas, ocupando hoje a posição de maior polo fora da Ásia. Esse resultado não é circunstancial. Ele deriva de um ambiente industrial robusto, de investimentos contínuos em tecnologia e de uma cadeia produtiva que evoluiu em qualidade, inovação e valor agregado.

Essa evolução também se reflete na forma como o mercado é organizado e compreendido. A partir deste ano, a Abraciclo passa a adotar uma nova classificação para o segmento de motocicletas, ampliando para 14 categorias. Entram nesse novo desenho tipologias como Crossover, Classic, Super Sport e Sport Touring, enquanto a categoria Custom deixa de existir.

A mudança não é apenas nominal. Ela acompanha transformações no comportamento do consumidor, na diversificação dos produtos e na incorporação de novas tecnologias. Trata-se de um mercado mais sofisticado, com demandas mais segmentadas e aplicações mais variadas.

Dentro dessa nova lógica, a categoria Street liderou a produção no primeiro trimestre, com 290.340 unidades, respondendo por 51,7% do total. Em seguida aparecem a Trail, com 112.031 unidades (20%), e a Motoneta, com 73.600 unidades (13,1%). O ranking evidencia a centralidade das motocicletas voltadas ao uso urbano e misto, reforçando seu papel funcional no cotidiano das cidades brasileiras.

O desempenho do setor de motocicletas, portanto, vai além de um ciclo positivo de produção e vendas. Ele expressa uma dinâmica econômica mais ampla, na qual mobilidade, trabalho e indústria se entrelaçam. No caso do Polo Industrial de Manaus, essa engrenagem ganha um significado adicional: trata-se de um modelo que combina geração de riqueza, integração regional e preservação ambiental.

Em um país marcado por desigualdades logísticas e urbanas, a motocicleta se consolida como instrumento de acesso, de inclusão produtiva e de circulação econômica. E é justamente nesse ponto que os números deixam de ser apenas estatística e passam a revelar um fenômeno mais profundo: o de uma indústria que, ao acelerar suas linhas de produção, também movimenta a base da economia real.

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Acesse a apresentação com os números completos do

Segmento de Motocicletas:

https://abraciclo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Fechamento_do_mes_-_marco_de_2026-Motocicletas.pdf

Fundada em 1976 e contando com 15 associadas, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares – ABRACICLO representa os fabricantes de veículos de duas rodas no país, tendo como principal missão promover o desenvolvimento sustentável e a competitividade do Setor de Duas Rodas, apoiando e defendendo a indústria nacional estabelecida no Polo Industrial de Manaus – PIM por meio dos pilares Política Industrial, Segurança Viária e Técnico.

A fabricação nacional de motocicletas, quase totalmente concentrada no Polo Industrial de Manaus (PIM), está entre as seis maiores do mundo. No segmento de bicicletas, com as principais fábricas também instaladas no PIM, o Brasil se encontra na quarta posição entre os principais produtores mundiais. No total, as fabricantes do Setor de Duas Rodas geram mais de 21 mil empregos diretos em Manaus/AM e mais de 150 mil em todo o Brasil.

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