Indústria 4.0 ou garimpo? Biotecnologia ou madeira ilegal? Atraso ou progresso?

“Precisamos seguir lançando o olhar para o futuro e assentando os pés no presente, onde desconhecemos bastante sobre como gerar riqueza com responsabilidade na nossa casa. Precisamos fazer um esforço neste presente e enfrentar este desafio, ao invés de nos perdermos nas fumaças mentais e de queimadas.”

Augusto Cesar Barreto Rocha
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Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

Todas as perguntas do título são de resposta fácil e rápida, mesmo quando a última tem sua ordem invertida. Entretanto, quando misturadas com outras afirmações, elas ganham contornos de complexidade. Mas não ficam complexas. Continuam sendo de resposta fácil e rápida. A fumaça o tentará, o ofuscará, mas não poderá lhe confundir ao ficar mais atento, pois as respostas seguem sendo fáceis e rápidas. O que gera mais empregos e riquezas, por meio de produção e impostos: um garimpo ilegal ou uma fábrica de televisores competitiva e produtiva? Não há dúvidas.

O que gera mais riqueza: a floresta em pé, aproveitando a biodiversidade ou a venda de madeira em forma de toras? Não há dúvidas. A questão é que um lado da resposta é o símbolo do atraso e da preguiça mental. O outro é o símbolo do desafio e do trabalho científico continuado. Ser contra a ciência é ótimo para os que ignoram seus potenciais. O mundo está repleto de trabalhos que constroem o futuro, com alicerces sólidos e presentes na ciência. Negar isso em uma postagem de Twitter beira ou ultrapassa o patético, pois há uma enorme quantidade de ciência por trás daquela plataforma.

Promessas que vamos defender a floresta, com ações contrárias a isso é que geram incômodo no planeta. Outros desmataram e hoje sabem que erraram. É como se alguém mais velho tivesse passado anos dirigindo sem cinto de segurança. Aí, após anos de pesquisa, constatou-se que não vale a pena dirigir sem cinto de segurança: a lei e os hábitos migram para a adoção ampla do cinto de segurança, pois é melhor, mais seguro, mais econômico etc. Entretanto, alguém poderia dizer: olhe! Você aí dirigiu anos sem cinto de segurança e eu quero continuar aqui sem usar o cinto de segurança! É meu direito!

Onde vamos amarrar nossos interesses? Nas exclamações inúteis? Há tanta oportunidade para a Amazônia que nos perdemos nelas. Alguns colocam uma falsa dicotomia, que no fundo representa a mediocridade intelectual ou econômica. Mais que reacionarismo, esta aceleração para o passado é danosa ao país. Precisamos seguir lançando o olhar para o futuro e assentando os pés no presente, onde desconhecemos bastante sobre como gerar riqueza com responsabilidade na nossa casa. Precisamos fazer um esforço neste presente e enfrentar este desafio, ao invés de nos perdermos nas fumaças mentais e de queimadas.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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