As incertezas que nos perseguem

Sigamos confiantes de que a democracia vai prevalecer, que respeitaremos mais nossos adversários, que encontraremos um caminho de diálogo, com a preservação da floresta, com o desenvolvimento associado à sustentabilidade na Amazônia, eliminando o risco do fascismo, respeitando a diversidade e a biodiversidade, liderando nosso país com zelo, ciência & tecnologia, que levarão à inovação tecnológica e a produção industrial por aqui.

Por Augusto Cesar Rocha
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Quantas vezes votamos e ficamos com a nítida sensação de que foi um voto equivocado? Minimamente, em alguns casos. Afinal, errar é humano. No jogo democrático ou aparentemente democrático, uma das convenções não escritas é o respeito ao adversário. Quando isso se perde, temos algo errado no ar. Quando um adversário ou frente de adversários desrespeita por completo o “outro” lado, nem em política internacional isso é adequado. 

Uma escalada sem respeito leva a uma guerra. Para quem interessa uma guerra? Certamente não interessa aos “pequenos” – ela interessa aos que possuem poder, dinheiro ou armas em grande quantidade, querendo impor seus desejos pela força bruta. No ambiente democrático há um conjunto de regras escritas e outras não escritas, que prevalecem com um ambiente cultural e de convenções que levam a paz e, desejavelmente, prosperidade a uma sociedade. Não que já tenhamos tido isso no país, mas já estivemos mais próximos desta utopia.

Quando as convenções começam a ser seguidamente desrespeitadas, devemos ter atenção. Muita atenção. Há algo de podre no ar. O jogo político é um jogo de poder e paira sempre a pergunta: quem ganha e quem perde? Se estamos nos censurando ou estimulando a censura: quem ganha, quem perde? É impossível numa sociedade minimamente democrática que um poder como um todo seja desqualificado – quando isso acontece, há algo errado no ar.

A imprensa com pauta única e que define a pauta, colocando em debate o que não interessa e não debatendo o que interessa. Quando isso prevalece em todos os canais, há algo errado. Quando há canais privados que só são “a favor” do governo, há algo errado. Como disseram os Titãs, “há governo, sou contra”. É impossível um governo só acertar, tal qual será impossível só errar. Assim como é impossível uma legenda partidária ser sempre certa ou errada. Só bandidos ou só santos – qualquer dos rótulos são perigosos e inapropriados.

Como votar no próximo domingo? Eu tenho a convicção de meu voto e entendo que ainda temos liberdade para defender nossos votos. Mas estou com a estranha sensação de que já não temos mais a tranquilidade para externar isso da maneira absoluta. Há algo errado no ar. 

Sigamos confiantes de que a democracia vai prevalecer, que respeitaremos mais nossos adversários, que encontraremos um caminho de diálogo, com a preservação da floresta, com o desenvolvimento associado à sustentabilidade na Amazônia, eliminando o risco do fascismo, respeitando a diversidade e a biodiversidade, liderando nosso país com zelo, ciência & tecnologia, que levarão à inovação tecnológica e a produção industrial por aqui. Fora disso, é o caminho das trevas. 

O bom é que mesmo com pouca luz poderemos minimizar as trevas. Estimo que a sua escolha seja do iluminismo contra as trevas e, se não for, tudo bem, continuaremos juntos, trabalhando para um mundo melhor, afinal, como asseverou Lulu Santos, “não haveria luz / se não fosse a escuridão”. Que prevaleça a Luz, o iluminismo e a democracia.

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Augusto Rocha é professor da UFAM
Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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