Poluição causada por incêndios florestais pode contaminar água por até 8 anos, revela estudo nos EUA

A pesquisa encontrou carbono orgânico, fósforo, nitrogênio e sedimentos nas amostras de água de todas as áreas que sofreram com os incêndios florestais de Los Angeles em janeiro

Quando incêndios florestais devastaram uma ampla área de Los Angeles no início do ano, autoridades alertaram os moradores de várias regiões atingidas para não beberem a água — ou fervê-la antes, se necessário. Havia preocupação de que fuligem, cinzas e outros detritos dos incêndios pudessem ter infiltrado no lençol freático, ou que canos danificados permitissem a entrada de toxinas no abastecimento. A última dessas ordens de “não beber” foi suspensa no mês passado.

Mas o primeiro estudo em larga escala sobre a qualidade da água após incêndios florestais, publicado na última terça-feira, descobriu que a poluição causada por esses eventos pode ameaçar os suprimentos hídricos por até oito anos, muito mais tempo do que estudos anteriores indicavam.

Segundo matéria do portal Grist, esquisadores do Cooperative Institute for Research in Environmental Science (CIRES), da Universidade do Colorado em Boulder, analisaram 100 mil amostras de 500 bacias hidrográficas no oeste dos Estados Unidos. Eles encontraram “contaminantes como carbono orgânico, fósforo, nitrogênio e sedimentos” em todas as áreas que haviam queimado. No pico, esses poluentes podem aparecer em concentrações até 103 vezes maiores do que antes do incêndio. Também pode haver de 9 a 286 vezes mais sedimentos na água após um incêndio.

Fruto de incêndios florestais, fogo em Los Angeles retrata impacto das mudanças climáticas.
Fruto de incêndios florestais, fogo em Los Angeles retrata impacto das mudanças climáticas | Foto: Reprodução/Youtube CNN Brasil

As descobertas recentes sobre os impactos dos incêndios florestais têm grandes implicações para os sistemas de abastecimento de água, especialmente em um cenário onde eventos como os ocorridos em Los Angeles, Carolina do Norte e até mesmo na região da Amazônia, no Brasil, com as queimadas contínuas que se alastram com o vento em períodos mais secos, se tornam cada vez mais frequentes.

Atualmente, uma em cada seis pessoas nos Estados Unidos vive em uma zona de risco de incêndios desse tipo e as bacias hidrográficas florestais abastecem quase dois terços dos municípios do país. Isso torna os sistemas de água vulneráveis em grande parte do território nacional.

Vídeo mostra poder do incêndio em Los Angeles enquanto chamas destroem casa.
Vídeo mostra poder do incêndio em Los Angeles enquanto chamas destroem casa • Foto: Reprodução/Cal Fire

Autoridades do Departamento de Água e Energia de Los Angeles (LADWP) informaram que estão realizando testes contínuos de qualidade da água na região de Palisades, após preocupações relacionadas a incêndios florestais. Além disso, estão oferecendo testes gratuitos de qualidade da água para todos os moradores interessados, como parte de uma ação preventiva para garantir a segurança do abastecimento hídrico na área afetada.

Segundo Carli Brucker, autora principal do estudo publicado na última terça-feira, há uma crescente preocupação entre concessionárias e gestores de água, especialmente no Oeste americano, quanto aos efeitos dos incêndios sobre a qualidade e a segurança do abastecimento hídrico. No entanto, o que ainda falta são dados consistentes de longo prazo que permitam entender com clareza a extensão desses impactos e planejar medidas eficazes de mitigação.

Agência do Bank of América destruída pelo fogo em Los Angeles, em janeiro de 2025.
Agência do Bank of América destruída pelo fogo em Los Angeles, em janeiro de 2025. Foto: RS | Fotos Públicas

“Espero que esta pesquisa forneça números concretos que realmente sustentem as preocupações dos gestores de água — e transformem essas preocupações em financiamento real, que eles possam começar a direcionar para a resiliência climática. Evidências sólidas podem ser muito úteis para garantir recursos”, aponta Brucker.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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