Nova tecnologia brasileira ajuda lavouras a resistirem à seca com hidrogel biodegradável

Pesquisadores da UEL, no Paraná, desenvolvem hidrogel biodegradável que aumenta a retenção de água no solo e pode fortalecer lavouras e florestas frente a secas extremas.

Um grupo de cientistas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, desenvolveu um hidrogel biodegradável que aumenta a resistência de plantas à seca. A tecnologia contra a seca é promissora diante dos desafios climáticos atuais. A escassez de água representa uma crise global, agravada pelas mudanças climáticas e com efeitos diretos na produção de alimentos, na saúde pública e na economia. 

Em 2023, quase metade da superfície terrestre (48%) enfrentou ao menos um mês de seca extrema, comprometendo desde lavouras até projetos de restauração ambiental. Diante desse cenário, desenvolver soluções capazes de reduzir a vulnerabilidade de ecossistemas e sistemas produtivos tornou-se uma urgência climática e social.

A partir de resíduos agroindustriais, biopolímeros e ácido cítrico, os pesquisadores criaram um material capaz de reter até cinco vezes seu peso em água e melhorar significativamente a germinação de sementes sob estresse hídrico. Essa tecnologia foi pensada para ser acessível, biodegradável e eficiente, contribuindo tanto para a agricultura, quanto para o reflorestamento.

Fotografia macro de hidrogel em bancada de laboratório, tecnologia criada para enfrentar a seca na agricultura.
Hidrogel biodegradável desenvolvido consegue reter até cinco vezes seu peso em água. Foto: Acervo Pessoal.

Os chamados hidrogéis superabsorventes funcionam como esponjas subterrâneas, eles captam a água da chuva e a liberam lentamente durante os períodos de estiagem. Embora já existam produtos semelhantes, a maioria é feita com polímeros sintéticos, com baixa biodegradabilidade e alto impacto ambiental. O diferencial do estudo da UEL está justamente na composição: celulose, amido, goma xantana e gelatina unidos por ácido cítrico, um composto natural e renovável.

Nos testes de solo, o hidrogel aumentou a retenção hídrica e elevou a taxa de germinação do milho de 76% para 93%, além de favorecer a liberação gradual de nutrientes como carbono e nitrogênio. A estrutura também demonstrou boa resistência térmica, porosidade equilibrada e decomposição controlada, características importantes para o desempenho no campo.

A pesquisa integra programas como o NAPI RESTORE e o centro TRANSFORMAT, voltados ao desenvolvimento de soluções de base biológica para a transição ecológica. Além do hidrogel, o grupo investiga microrganismos que estimulam o crescimento vegetal e micomateriais derivados de fungos.

Imagem microscópica de hidrogel biodegradável, revelando sua estrutura porosa tridimensional, essencial para reter e liberar água no solo de forma controlada.
Imagens de Microscopia Eletrônica de Varredura evidenciam a porosidade das amostras de hidrogel biodegradável, desenvolvidas na UEL como tecnologia contra a seca. Fonte: Acervo pessoal.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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