O “gigante da sustentabilidade” que escolheu queimar petróleo

Em evento financiado por fundo Saudita, o presidente Lula destacou que “O Brasil que vislumbramos é um gigante da sustentabilidade” e que “Queremos fazer tudo legal, respeitando o meio ambiente, respeitando tudo. Mas nós não vamos jogar fora nenhuma oportunidade de fazer esse país crescer.”

Durante a FII Priority Summit, realizada no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou o Brasil como um potencial “gigante da sustentabilidade”. O encontro, organizado pelo principal fundo da Arábia Saudita, atraiu empresários e líderes internacionais para discutir investimentos em energia limpa e outras áreas.

Lula enfatizou que o Brasil possui as melhores condições para atrair investimentos destinados à ampliação da produção global a partir de uma matriz energética limpa. “O Brasil que vislumbramos é um gigante da sustentabilidade e um peso pesado na segurança alimentar. É um país capaz de ampliar sua produtividade agrícola com respeito ao meio ambiente e de renovar sua vocação industrial a partir da energia limpa e da inovação tecnológica”, afirmou o presidente em seu discurso preparado.

O "gigante da sustentabilidade" que escolheu queimar petróleo
Foz do rio Amazonas – Foto: Reprodução/Google Maps

Tentadoras contradições

Apesar do foco na sustentabilidade, Lula também defendeu a exploração de petróleo na margem equatorial, uma área que enfrenta resistência dos órgãos ambientais. A principal área de controvérsia é a bacia do Foz do Amazonas, onde o Ibama recentemente negou uma licença para a perfuração de um poço devido a preocupações socioambientais.

Ao falar de improviso, Lula afirmou:

“É importante ter em conta que nós, na hora que começarmos a explorar a chamada margem equatorial, vamos dar um salto de qualidade extraordinária. Queremos fazer tudo legal, respeitando o meio ambiente, respeitando tudo. Mas nós não vamos jogar fora nenhuma oportunidade de fazer esse país crescer.”

bloco FZA M 59 foz do amazonas

O setor de petróleo defende que a exploração na margem equatorial é fundamental para manter a produção brasileira após o esgotamento do pré-sal. A nova presidente da Petrobras, Magda Chambriard, presente no evento, destacou a importância dessas novas fronteiras exploratórias. “A margem equatorial e outras novas fronteiras exploratórias são essenciais para reposição de reservas do país. Acredito que a gente já perdeu dez anos. Essa margem equatorial foi licitada em 2013”, disse ela em entrevista a jornalistas.

Chambriard também sublinhou os esforços da Petrobras em projetos de descarbonização. Segundo ela, a empresa “está investindo muito” nessa área. “A pegada de carbono de um projeto da bacia de Santos do pré-sal tem metade da pegada de carbono tradicional. Diminuímos muito a pegada de carbono. Tudo isso é a prova de que a Petrobras está atenta à questão do meio ambiente“, declarou.

Não é apenas a pegada de carbono que preocupa

No mês passado, um pesquisa conduzida por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), em parceria com o Greenpeace, quis entender as possíveis rotas que um vazamento de óleo poderia seguir na Bacia da Foz do Amazonas. A equipe lançou sete derivadores (boias com GPS) ao longo da costa do Amapá para monitorar as correntes marinhas superficiais e prever os impactos de um possível derramamento de óleo na região.

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Felipe Brasil/ Fotos Públicas

Dos sete derivadores lançados, dois tocaram a costa brasileira, um na Área de Proteção Ambiental do Arquipélago do Marajó e outro na Reserva Biológica do Lago Piratuba. Os outros cinco derivadores cruzaram rapidamente as fronteiras do Brasil, com alguns alcançando a costa da Guiana Francesa e do Suriname em poucas horas, percorrendo até 800 km. Esses deslocamentos mostram que um vazamento de óleo na margem equatorial brasileira poderia ter consequências devastadoras para a biodiversidade local.

Confira na íntegra clicando aqui

Contexto do evento

O tema do evento FII Priority Summit Rio de Janeiro foi “investir em dignidade”. Organizado pelo FII Institute, uma entidade sem fins lucrativos financiada pelo fundo soberano da Arábia Saudita, a conferência já foi apelidada de “Davos do deserto”. O encontro contou com a participação de ministros do governo Lula, empresários e lideranças políticas estrangeiras, e as discussões se estenderam até quinta-feira (13).

O gigante da sustentabilidade que escolheu queimar petróleo
(FII Priority Summit/Divulgação)

Envolvimento internacional

O discurso de Lula buscou atrair investimentos estrangeiros preocupados com sustentabilidade. A presença de empresários e líderes internacionais no evento ressaltou o potencial para futuras parcerias em áreas como energia limpa e inovação tecnológica.

Lula afirmou que o Brasil está preparado para ser um líder global em sustentabilidade, oferecendo um ambiente propício para investimentos que promovam o crescimento econômico sem comprometer o meio ambiente.

Com informações da Folha de São Paulo e do Greenpeace

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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