Gestão da Amazônia não é para principiantes

Há um temor na comunidade global com o risco de o Brasil deixar o Acordo do Clima, como fez Trump, pelo protagonismo do Brasil desde a Conferência do Rio, a ECO 92, sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. No caso do Amazonas, que sediou, recentemente, uma Conferência Internacional sobre Gestão da Amazônia – 1ª AMAS, sairíamos perdendo com a movimentação avançada de precificação dos serviços ambientais oferecidos por sua extraordinária cobertura vegetal. Numa de suas recomendações finais, por exemplo, o evento sugere: “… ampliar a escala de sistemas de manejo sustentável de florestas nativas, por meio de sistemas de georreferenciamento e rastreabilidade aplicáveis ao manejo de florestas nativas, em linha com as medidas inibidoras de práticas ilegais ou insustentáveis”.

Ou seja, além de fortalecer o compromisso do desmatamento ilegal zero, essa prática do manejo tem 3,4 bilhões de metros cúbicos para oferecer emprego, renda e adensamento do acervo florestal, com expansão da oferta de oxigênio e do fluxo de fixação dos gases do efeito estufa. Isso nada tem a ver com o desmatamento perverso destinado ao pasto tradicional, como sugerem alguns “planos de governo”.

Percorreu toda a palpitação acadêmica da Conferência a movimentação a favor de uma bioeconomia inteligente, com a sugestão de reduzir as barreiras fiscais e os custos logísticos para os arranjos produtivos selecionados em cada mesorregião, com o propósito de elevar o Indicador de Desenvolvimento Humano e a conservação do bioma. O mundo espera que essa agenda prospere em lugar de atrofiar e os esforços, às vezes um tanto quanto claudicantes da Coalizão Brasil Clima, são para “…elevar o Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC) como principal estratégia para o desenvolvimento sustentável na agricultura, inclusive por meio da restauração adicional de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2030 e pelo incremento de 5 milhões de hectares de sistemas de integração lavoura-pecuária-florestas até 2030”. Há que se chamar os atores dessa movimentação para montagem de estratégias robustas de expansão das metas e resultados.

Pelo custo e pelo capital institucional que a medida representa, é alvissareiro, na ótica da indústria, buscar uma participação de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética da região em 2030. Isso supõe a expansão do uso de fontes renováveis, na matriz total de energia para uma participação de 30% até 2030, além da energia hídrica.

Ampliar o uso doméstico de fontes de energia não fóssil, aumentando a parcela de energias renováveis (além da energia hídrica) no fornecimento de energia elétrica para ao menos 23% até 2030, inclusive pelo aumento da participação de eólica, biomassa e solar. Alcançar um mínimo de 10% de ganhos de eficiência no setor elétrico até 2030.

Há uma movimentação entre as entidades da indústria e da agricultura na direção de fortalecer todo tipo de demanda industrial que utiliza recursos renováveis da Amazônia e que contribui para a geração de empregos e renda. De quebra, para que sejam otimizados esses resultados, cumpre buscar novos padrões de tecnologias limpas e utilização de recursos digitais e inteligência artificial para ampliar as medidas de eficiência energética e de infraestrutura de baixo carbono.

Esse foi o legado da gestão Villas Bôas, Theóphilo, Heleno, em Amazônia, conhecer para proteger e Amazônia Conectada, espólio de comandantes militares da região que se interligaram com atores civis e iniciativas acadêmicas da desafiadora gestão da Amazônia.

Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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