Gel cicatrizante à base de Gengibre-Amargo promete revolucionar tratamento de diabéticos

Desenvolvido pela Biozer em Manaus, um gel cicatrizante à base de gengibre-amargo conta com resultados impressionantes de até 95% na cicatrização de feridas e promete revolucionar o tratamento desse problema que acomete muitas pessoas com diabete, prevenindo amputações e promovendo sustentabilidade na Amazônia.

A Biozer da Amazônia, uma empresa farmacêutica situada em Manaus, Amazonas, está à frente de uma inovação promissora no tratamento de feridas causadas pela diabetes, uma condição que frequentemente resulta em amputações. A empresa anunciou o desenvolvimento de um gel cicatrizante feito à base de gengibre-amargo, uma planta nativa da Amazônia. Este produto não apenas representa um avanço na medicina, mas também reflete um compromisso com a sustentabilidade ambiental e econômica da região.

O desenvolvimento deste gel tem suas raízes em estudos iniciados em 2015 pelo Dr. Carlos Cleomir Pinheiro, biólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Com mais de três décadas de estudo sobre o gengibre-amargo, Dr. Carlos Pinheiro, que é pai do diretor-executivo da Biozer, Danniel Pinheiro, liderou os ensaios clínicos iniciais. Em um estudo com 27 participantes, o gel demonstrou uma eficácia de 95% na cicatrização de feridas.

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Funcionamento do gel cicatrizante

O gel é um hidrogel composto principalmente de água, atuando em duas frentes principais: a hidratação das feridas e a remoção de tecidos mortos ou danificados. O componente ativo chave, a zerumbona, encontrada no gengibre-amargo, é responsável por suas propriedades curativas. Além de promover a cicatrização, o gel apresenta atividades antimicrobiana, anti-inflamatória e analgésica, tornando-o uma solução abrangente para úlceras de pressão, especialmente em pacientes diabéticos.

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O Pé Diabético e mais informações de Saúde

O pé diabético é uma das complicações mais graves da diabetes, frequentemente resultando em amputações. Dados do Estadão revelam que, de janeiro a agosto de 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 6.982 amputações devido a esta condição. As principais complicações incluem má circulação nos membros inferiores e neuropatia periférica, que podem levar à perda de sensibilidade protetora nos pés.

A neuropatia periférica é uma condição debilitante que frequentemente se manifesta com dor intensa nos pés, especialmente à noite. Essa dor inicial pode progredir para uma perda de sensibilidade, aumentando o risco de lesões que passam despercebidas e podem infeccionar.

Sintomas e diagnóstico

Os sintomas comuns do pé diabético incluem:

  • Formigamento
  • Perda de sensibilidade
  • Dor e queimação
  • Sensação de agulhadas
  • Dormência
  • Fraqueza nas pernas

Muitos pacientes só percebem a gravidade da condição quando já apresentam feridas ou infecções, o que dificulta o tratamento devido à má circulação. O Ministério da Saúde destaca a importância do diagnóstico precoce, que pode ser gerenciado com calçados especiais e cuidados contínuos.

Gel cicatrizante à base de Gengibre-Amargo promete revolucionar tratamento de diabéticos
foto: GettyImages

Prevenção de amputações

Para prevenir complicações e amputações, é crucial seguir algumas recomendações:

  • Manter a hidratação: Isso ajuda a evitar calos e rachaduras.
  • Inspeção regular dos pés: Procurar feridas, bolhas ou cortes diariamente.
  • Buscar ajuda profissional: Identificar e tratar anormalidades precocemente.
  • Evitar cortar as unhas sozinho: A falta de sensibilidade pode levar a cortes acidentais.
  • Usar calçados e meias confortáveis: Evitar comprometer a circulação.
  • Não andar descalço: Especialmente fora de casa.
  • Controlar o diabetes: Seguir uma dieta balanceada, tomar medicação prescrita e praticar exercícios físicos regularmente.

Sustentabilidade ambiental e impacto socioeconômico

O projeto da Biozer é apoiado pelo Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), uma iniciativa da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam). Com um financiamento de R$ 4,2 milhões, a pesquisa não só visa o desenvolvimento do gel, mas também a criação de subprodutos do gengibre-amargo. A empresa está implementando sistemas agroflorestais para o cultivo sustentável da planta, incentivando pequenos produtores locais a participarem, o que ajuda a preservar a biodiversidade da floresta amazônica.

Leia também:

https://brasilamazoniaagora.com.br/2024/idesam-startups-de-biotecnologia

Compromisso com a comunidade e o meio ambiente

Danniel Pinheiro, diretor-executivo da Biozer, ressaltou o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável da Amazônia. “Como parte da comunidade amazônica, é nossa responsabilidade desenvolver tratamentos que não apenas ajudem as pessoas, mas também promovam a economia local e protejam nosso ambiente natural,” afirmou. Esta visão integra a medicina tradicional com a pesquisa científica moderna, destacando o potencial dos recursos naturais da Amazônia no tratamento de doenças crônicas e severas.

Gel cicatrizante à base de Gengibre-Amargo promete revolucionar tratamento de diabéticos
foto: Bruno Kelly

Próximos passos e expectativas

Atualmente, a Biozer está se preparando para um ensaio clínico multicentro com 100 pacientes em Manaus, um passo necessário antes de solicitar a validação do produto junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa é que todos os trâmites burocráticos sejam concluídos até o final de 2025, permitindo a comercialização do gel.

Este avanço não só promete oferecer uma alternativa eficaz no tratamento de feridas diabéticas, mas também fomentar a economia local e proteger o meio ambiente, beneficiando a sociedade como um todo.

Com informações do Estadão

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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