Fundo Amazônia: retomada pode ajudar Lula atingir desmatamento zero

Mais uma boa notícia para a retomada do Fundo Amazônia. Depois da Noruega, o governo da Alemanha sinalizou sua disposição em descongelar os repasses financeiros a partir da posse do presidente eleito Lula.

Jochen Flasbarth, secretário de estado do ministério para cooperação e desenvolvimento do país, afirmou no Twitter que o governo do chanceler Olaf Scholz “está pronto para se engajar novamente no Brasil junto com nossos colegas noruegueses em apoio ao Fundo Amazônia”. Deutsche Welle e VEJA deram mais informações.

Os governos doadores interromperam os repasses em 2019, depois da gestão Bolsonaro extinguir os comitês responsáveis pela gestão do Fundo Amazônia. A decisão também aconteceu em virtude do descontentamento de alemães e noruegueses com as tentativas de modificar a seleção dos projetos beneficiários e a pretensão de uso dos recursos em favor de indenizações para proprietários de terra feitas por um ex-ministro do meio ambiente.

Fundo Amazônia
reprodução twitter

Projetos Fundo Amazônia

De acordo com o Estadão, existem 56 projetos na fila de análise para receber recursos do Fundo Amazônia, um processo interrompido com seu congelamento. Ao todo, esses projetos pleiteiam cerca de R$ 2,2 bilhões – um valor um pouco inferior aos repasses retidos pela Noruega desde 2019, que somam R$ 2,5 bilhões. Para efeito de comparação, o orçamento do IBAMA em 2021 foi de R$ 236 milhões, menos de 10% desse valor retido.

A retomada do Fundo Amazônia será vital para o governo Lula tirar do papel a promessa de zerar o desmatamento na próxima década. Em um cenário de forte corte orçamentário na área ambiental – que vem desde o final do governo Dilma Rousseff, mas foi intensificado sob Bolsonaro – a chegada de recursos internacionais pode fechar a equação contábil para viabilizar a fortalecimento da fiscalização e do monitoramento, bem como o incentivo a projetos de desenvolvimento sustentável que favoreçam a floresta em pé. 

BBC Brasil abordou os principais desafios de Lula para a proteção da Amazônia no próximo governo.

Em tempo: A vitória de Lula na eleição presidencial “dá uma chance à Amazônia” para resistir em pé, destacou a Bloomberg. Mais do que preservar a maior floresta tropical do planeta, o resultado da votação foi acompanhado atentamente no exterior pelos efeitos colaterais da situação da Amazônia no tabuleiro global da luta contra a mudança climática.

Na mesma linha, o Climate Home assinalou que o sucesso de Lula traz esperança para o futuro da floresta e lembrou que o novo presidente terá dificuldades políticas no Congresso Nacional e nos estados para destravar suas políticas de proteção.

Texto publicado originalmente em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Da conta pública ao direito de aprender

"Os resultados do Pisa mostram que o Brasil encurtou...

Saiba quais as propostas dos candidatos ao governo do Acre 2026

Veja as propostas dos candidatos ao governo do Acre em 2026 para bioeconomia, energia, desmatamento, povos indígenas e adaptação climática.

A orquídea de ouro do Rio Negro

"Rara, perfumada e adaptada às areias brancas da Amazônia,...

O rio além da draga – PARTE II – Antes da concessão, o rio e seus habitantes – Coluna Follow-Up

A concessão de uma hidrovia amazônica começa muito antes do leilão. Começa pelo reconhecimento de que o rio já possui usuários, economias, culturas e regras de convivência construídas ao longo de gerações. Um contrato pode organizar investimentos e cobrar por serviços comprovadamente entregues, mas sua legitimidade dependerá da capacidade de proteger a vida que precede a concessão e continuará no território depois dela.

Manaus, a cidade no coração da floresta que desaprendeu a respirar

Fumaça volta a cobrir a capital, expõe crianças e...