Cientistas descobrem que formigas podem detectar câncer em urina

Gabriel Sérvio – Olhar Digital

O câncer continua sendo a principal causa de morte no mundo, com mais de 19 milhões de casos em 2020. Quanto mais cedo for detectado, maiores são as chances do paciente se recuperar. No entanto, os métodos de detecção atuais são invasivos e caros.

No futuro, as formigas podem virar o jogo agindo como um novo tipo de biodetector muito mais acessível. Seu poderoso olfato pode até substituir equipamentos sofisticados, conseguindo distinguir diferenças moleculares sutis em amostras biológicas.

Diagnóstico de câncer em amostra de urina

Um novo estudo mostra que essa habilidade pode detectar o câncer em amostras de urina, a princípio em ratos de laboratório.

  • Os pesquisadores descobriram que as formigas podem distinguir amostras de células cancerígenas e saudáveis pelo cheiro.
  • A equipe treinou dois grupos de formigas (“Formica fusca”), conhecidas pelo rápido aprendizado e boa memória, a distinguir o cheiro da urina de um camundongo saudável a de um portador de tumores cancerígenos humanos usando uma recompensa feita de água com açúcar. 
  • Foram necessárias apenas três sessões de treinamento para elas conseguirem discriminar os odores. 

As formigas mostram o potencial de se tornar uma ferramenta rápida, eficiente, barata e não invasiva para a detecção de tumoresBaptiste Piqueret, etólogo da Universidade Sorbonne

Formigas
Foto divulgação

Resultados da pesquisa

Após o treinamento, as formigas passaram mais tempo procurando pela recompensa e, automaticamente, forneceram um sinal preciso da presença ou ausência de câncer. A análise química inclusive revelou que as moléculas na urina dos camundongos com câncer são realmente diferentes. Além disso, quanto maior o tumor, mais diferente são os odores.

No entanto, as formigas não mostraram diferença na capacidade de detectar a presença de pequenos ou grandes tumores, ou seja, elas farejam ambos da mesma forma.

Embora os resultados sejam promissores, ainda há muito trabalho a ser feito antes do uso no mundo real em ambientes clínicos, conclui o estudo publicado recentemente na Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences.

“Nosso método precisa de mais validações usando diferentes tipos de tumores/câncer e, mais importante, amostras de origem humana, antes de ser considerado adequado como teste de rotina para o rastreamento do câncer”, dizem os pesquisadores.

Texto retirado de OLHAR DIGITAL

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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