Financiamento de conservação favorece peixes e negligência plantas nos EUA

Uma análise recente dos gastos do governo dos Estados Unidos com a conservação de espécies revela desigualdades significativas no financiamento para diferentes reinos biológicos

Segundo dados de 2020 analisados pela Associated Press, dos cerca de US$ 1,2 bilhão (aproximadamente R$ 502,2 bilhões) alocados anualmente pelo Ministério da Saúde para a preservação de espécies, 67% são destinados para peixes, com foco em apenas duas espécies: o salmão e a truta prateada. Enquanto isso, mamíferos recebem apenas 7%, aves 5%, plantas 2% e insetos 0,5% do orçamento.

O balanço, que marca os 50 anos da Lei das Espécies Ameaçadas, ressalta que quase duas mil plantas, mamíferos, peixes, insetos e outras espécies foram listadas como ameaçadas ou em perigo de extinção. No entanto, algumas espécies, como o caracol da montanha com franjas da Virgínia, receberam apenas US$ 100 (R$ 492,3) em 2020, e outras, incluindo moscas-pedra e a salamandra tigre da Califórnia, não receberam fundos.

O Euro News aponta que essas disparidades nos gastos refletem uma mistura de realidades biológicas e pressões políticas. Por exemplo, a restauração do salmão e da truta prateada é cara devido à sua vasta distribuição e presença de grandes barragens hidrelétricas, além de terem um grande apoio político. Em contrapartida, as plantas quase foram excluídas da Lei das Espécies Ameaçadas e só foram incluídas após pressão de botânicos e cientistas

Conservação
Foto: iStock

Diante das mudanças climáticas e do aumento das ameaças a espécies vegetais e animais, muitos defendem a necessidade de uma abordagem mais estratégica na alocação de recursos. Leah Gerber, professora de Ciências da Conservação na Universidade Estadual do Arizona, sugere focar em espécies com planos de recuperação mais acessíveis financeiramente.

Entretanto, Jamie Rappaport Clark, ex-diretor do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, argumenta que o debate sobre a alocação de recursos é uma distração e que o verdadeiro problema é a falta de financiamento suficiente.

Uma esperança recente é a inclusão de US$ 62,5 milhões (R$ 307,7 milhões) na lei climática assinada pelo presidente Joe Biden, destinados à elaboração de planos de recuperação para 32 espécies, incluindo o peixe candy darter e o arbusto marrom bácora. Além disso, estão previstos mais US$ 5,1 milhões (R$ 25,1 milhões) para projetos que poderiam beneficiar centenas de espécies subfinanciadas.

*Com informações UM SÓ PLANETA

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Nova enzima sustentável na indústria de papel promete corte de poluentes

Nova enzima sustentável na indústria de papel reduz químicos tóxicos e avança com solução baseada em resíduos agrícolas e bioeconomia.

Idesam oferece até R$ 200 mil em prêmios no Desafio Bioinovação Amazônia

Idesam abre inscrições para desafio de bioinovação na Amazônia, com prêmios de até R$ 200 mil e apoio técnico para soluções sustentáveis.

Água em risco: como a poluição ameaça a vida nos rios do planeta e o que pode ser feito agora

Com a maior rede hidrográfica do planeta e uma biodiversidade aquática extraordinária, o país está no centro desse debate. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos: saneamento insuficiente, poluição por mineração, expansão agrícola e impactos das mudanças climáticas. A Amazônia, por exemplo, já apresenta sinais de contaminação por plásticos e outros poluentes, evidenciando que nem mesmo regiões consideradas remotas estão imunes

Terras raras no Brasil entram no centro da disputa por soberania nacional

Terras raras no Brasil entram na disputa global, com Lula defendendo soberania mineral diante de pressões externas e impactos ambientais.