Fazendas no Piauí foram autorizadas a desmatar 4x a área de Paris em um ano

Entre 2022 e 2023, o Piauí liberou o desmatamento de 78,6 mil hectares de vegetação nativa, sendo que dez propriedades foram responsáveis por desmatar 42,9 mil hectares, quatro vezes a área de Paris.

A maioria das 99 autorizações foi para áreas no Cerrado, que viu seu desmatamento atingir níveis recordes.

João Gonçalves, da Mighty Earth, critica a distinção entre desmatamento legal e ilegal, argumentando que ambos prejudicam o meio ambiente e a biodiversidade. Um relatório da ONG liga o recente desmatamento no Cerrado e na Amazônia à produção de soja, afetando as cadeias de fornecimento de grandes empresas.

Dados do Inpe mostram que em 2023 a perda de vegetação no Cerrado aumentou 43%, enquanto o desmatamento na Amazônia caiu 50%, marcando a primeira vez que o Cerrado superou a Amazônia em desmate. Esse desmatamento é significativo para as emissões de CO2 do Brasil, com as mudanças de uso da terra representando quase metade das emissões nacionais.

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A propriedade com maior área autorizada é fornecedora de soja da Bunge – Pixabay

O Ministério do Meio Ambiente estima que metade do desmatamento no Cerrado é autorizado, mas enfrenta desafios de transparência e comunicação entre órgãos estaduais e federais. A SEMARH-PI defende que suas autorizações são rigorosamente analisadas e que o Piauí contribui minimamente para as emissões de CO2 do país.

Grandes áreas foram liberadas para agricultura e pecuária, especialmente na região do Matopiba, incluindo a maior autorização de desmatamento no Piauí para a Fazenda Emaflor. A Fazenda, ligada ao Grupo AZN, destina-se à expansão agropecuária, incluindo a produção de soja, fornecedora da Bunge, que se comprometeu com o “desmatamento zero” a partir de 2025.

A Repórter Brasil revelou a ligação entre o desmatamento e a produção de soja, destacando a importância de novas barreiras comerciais europeias para produtos oriundos de áreas desmatadas. Embora a nova lei europeia de 2024 vise reduzir o impacto ambiental, ela não cobre grande parte do Cerrado, gerando críticas por não abordar efetivamente o problema das emissões associadas ao desmatamento.

A legislação brasileira é menos restritiva no Cerrado em comparação à Amazônia, permitindo maior desmatamento, o que, segundo especialistas, reflete uma subvalorização do bioma e suas complexidades ambientais.

*Com informações Brasil de Fato

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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