Mais de 60% da extração de madeira no Amazonas é ilegal, aponta novo estudo

Estudo revela que a extração de madeira ilegal no Amazonas cresceu 9% em um ano, atingindo áreas protegidas e ampliando os riscos de desmatamento e conflitos fundiários.

Mais de 60% da extração de madeira registrada no Amazonas entre agosto de 2023 e julho de 2024 ocorreu sem autorização dos órgãos competentes, de acordo com levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). A pesquisa apontou 68 mil hectares com atividade madeireira no período, dos quais 42 mil foram explorados de forma ilegal.

O estudo, conduzido pela Rede Simex, formada por Imazon, ICV e Imaflora, utilizou imagens de satélite cruzadas com os dados oficiais de autorizações de manejo florestal. O avanço de 9% na área com extração de madeira irregular, em comparação com o ano anterior, indica um cenário preocupante de fragilidade na fiscalização ambiental.

Apenas dois municípios — Boca do Acre e Lábrea — responderam por 75% da extração de madeira ilegal em todo o estado. Localizados na região da Amacro, fronteira entre Amazonas, Acre e Rondônia, esses territórios são pressionados pela expansão da agropecuária. Segundo especialistas, a retirada de madeira nessas áreas pode ser precursora de desmatamento associado à grilagem ou à implantação de lavouras e pastagens.

Área de floresta com clareiras e estradas abertas por extração de madeira ilegal no Amazonas
Foto: Ibama

Outro ponto de destaque no levantamento foi a exploração dentro de áreas protegidas. Cerca de 5,6 mil hectares foram desmatados ilegalmente em terras indígenas e unidades de conservação, o que representa um impacto significativo tanto para a biodiversidade quanto para as populações tradicionais. Apesar da queda de 19% em relação ao levantamento anterior, a extração de madeira nessas áreas ainda equivale a mais de 5 mil campos de futebol.

O estudo também chama atenção para a atuação em imóveis rurais com registro em sistemas públicos como CAR e Sigef, responsáveis por 77% da extração ilegal. Já as florestas públicas não destinadas (FPNDs) concentraram 3,3 mil hectares explorados sem autorização. O Imazon reforça a necessidade urgente de destinar essas terras à conservação ou ao uso comunitário para proteger o patrimônio socioambiental da região.

Área de floresta protegida em território indígena vulnerável à extração ilegal de madeira.
Terras indígenas e unidades de conservação seguem ameaçadas pela extração de madeira ilegal. Foto: Felipe Werneck/Ibama.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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