Em meio a protestos, cresce pressão sobre a Índia para assumir meta de descarbonização até 2050

Dentre as grandes economias globais, a Índia tem sido uma das mais tímidas quando o assunto é neutralidade das emissões de carbono até 2050. O governo de Narendra Modi vinha driblando essa questão nos últimos meses, mas parece que isso não será mais possível. O Climate Home repercutiu a impressão de especialistas e observadores indianos, que apontam para a pressão crescente sobre Nova Déli para assumir logo um compromisso de descarbonização. Nesta semana, o presidente indicado da Conferência do Clima de Glasgow (COP26), Alok Sharma, visitou a Índia e reforçou a cobrança externa. Os sinais agora indicam que Modi pode anunciar uma meta de emissões líquidas zero em algum momento ao longo dos próximos meses, ainda que as conversas sobre isso dentro do governo sigam incipientes.

A visita de Sharma coincidiu com a intensificação dos protestos de pequenos agricultores contra as novas leis agrícolas da Índia e a prisão da jovem ativista climática Disha Ravi, acusada de “sedição” por ter colaborado na montagem de um tool-kit para apoiar a pauta dos manifestantes no Twitter. Os advogados de Ravi rejeitaram as alegações das autoridades indianas e afirmaram que a prisão foi ilegal. Eles também pediram à polícia que não vaze informações relativas a conversas privadas de Ravi. Segundo o Independent, trechos de uma troca de mensagens entre ela e a ativista Greta Thunberg apareceram na mídia indiana nos últimos dias. Nas supostas conversas vazadas à imprensa, Ravi teria afirmado que temia enfrentar uma ação judicial por conta de sua militância em favor dos pequenos agricultores indianos. Caso condenada, Ravi pode ser punida com prisão perpétua.

Em tempo: Um estudo do Greenpeace do Sudeste Asiático com a empresa suíça IQAir mostrou que cerca de 54 mil mortes prematuras ocorridas em Nova Déli no ano passado podem ter sido causadas pelos altos níveis de poluição atmosférica. Eles mediram a qualidade do ar registrando a concentração de material particulado PM2.5, associado a diversas doenças mortais, como câncer e problemas cardíacos. Na capital indiana, a leitura de PM2.5 atingiu um pico em novembro, quando ela estava 30 vezes acima dos limites estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde como seguros. A Reuters deu mais detalhes.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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