Após sete anos de gestão de Helder Barbalho, o Pará chega às eleições com queda recente do desmatamento, avanço da bioeconomia e conflitos sobre petróleo, carbono e povos tradicionais.
A renúncia de Helder Barbalho (MDB) ao governo do Pará, em abril de 2026, encerrou um ciclo de sete anos à frente do estado. Filho do senador e ex-governador Jader Barbalho e da deputada federal Elcione Barbalho, ele deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado. A saída levou a então vice-governadora Hana Ghassan (MDB) ao comando do Executivo e abriu uma nova etapa para o grupo político que governa o Pará desde 2019.
Contadora e auditora fiscal de carreira, Hana assumiu com duas tarefas simultâneas: administrar os meses finais do mandato e se consolidar como o nome da continuidade nas eleições de outubro. Ao buscar permanecer no cargo, ela leva às urnas não apenas sua atuação como governadora, mas o projeto construído nos dois mandatos de Barbalho.
O grupo governista chega à disputa apoiado por índices elevados de aprovação. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril de 2026 indicou que 63% dos entrevistados aprovavam a administração de Helder, embora parte do eleitorado também demonstrasse desejo de mudança na condução do estado.
A sucessão ocorre após um período de exposição internacional incomum para o Pará. Belém sediou, em novembro de 2025, a COP30, conferência climática das Nações Unidas que colocou o estado no centro das discussões sobre conservação da Amazônia, financiamento climático e desenvolvimento de baixo carbono. O evento ampliou a projeção política do governo paraense e posicionou a agenda socioambiental como uma das principais marcas da gestão.
Esta reportagem integra a série Eleições na Amazônia 2026: o saldo que chega às urnas, que avalia os governos estaduais da região a partir das promessas socioambientais e dos resultados entregues. No Pará, o legado de Helder combina avanços institucionais, metas incompletas e contradições que também estarão em julgamento na disputa pela continuidade de seu grupo político.
O que foi prometido ao Pará nas campanhas de 2018 e 2022
Nas campanhas que levaram Helder Barbalho ao governo, a agenda socioambiental foi apresentada como parte de um projeto voltado a conciliar crescimento econômico, redução das desigualdades e conservação da floresta. Os planos registrados em 2018 e 2022 propunham fortalecer a atuação ambiental do Estado e posicionar o Pará como referência em desenvolvimento de baixo carbono.
No programa de 2018, intitulado O Pará daqui para frente, o então candidato assumiu os compromissos de combater o desmatamento ilegal, aprimorar a fiscalização e estruturar um modelo de desenvolvimento sustentável. O documento também previa ampliar a regularização fundiária e ambiental para enfrentar a ocupação irregular de terras e dar segurança jurídica às atividades produtivas.
Na campanha de reeleição, em 2022, a pauta ganhou maior espaço. O plano defendia a consolidação da Política Estadual sobre Mudanças Climáticas e do Plano Estadual Amazônia Agora, criado durante o primeiro mandato com metas de redução das emissões provocadas pelo desmatamento. Também estavam entre os compromissos o incentivo à energia de baixa emissão, a adoção de alternativas menos poluentes no transporte e o fortalecimento de atividades econômicas associadas à floresta em pé.
A bioeconomia tornou-se uma das principais frentes do programa. Além de implementar uma política estadual específica, o governo prometeu entregar um Parque de Bioeconomia e Inovação em Belém, destinado a reunir pesquisa científica, conhecimentos tradicionais, empreendedorismo e acesso a mercados.
Os planos também destacaram a valorização dos povos indígenas, quilombolas, extrativistas e demais comunidades tradicionais. Entre as propostas estavam o apoio às cadeias produtivas comunitárias e o respeito à consulta livre, prévia e informada em decisões com potencial para afetar territórios e modos de vida. Esses compromissos formam a referência para avaliar os dois mandatos, considerando não apenas a criação de planos, decretos e estruturas administrativas, mas seus efeitos sobre o desmatamento, a renda, os territórios e a participação das populações atingidas.
Da alta do desmatamento à reversão, um desafio que continua no Pará
O combate ao desmatamento foi o principal compromisso ambiental assumido por Helder Barbalho. Em agosto de 2020, o governo lançou o Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), que estabeleceu a meta de reduzir em pelo menos 37% as emissões provenientes do desmatamento até 2030, em comparação com a média de 2014 a 2018.
O plano também projetou alcançar a neutralidade de carbono no setor de uso da terra e das florestas a partir de 2036. A evolução dos indicadores, no entanto, seguiu caminhos distintos nos dois mandatos. Logo em 2019, o Pará registrou crescimento de 52% na perda de cobertura florestal em relação a 2018, segundo o sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Durante o primeiro mandato, o estado ampliou a área desmatada e permaneceu como o maior responsável pela destruição da Amazônia Legal em números absolutos. As séries do INPE e os Relatórios Anuais de Desmatamento do MapBiomas Alerta mostram que o Pará liderou o ranking entre 2019 e 2022, concentrando mais de um terço da perda florestal registrada no bioma. Parte desse avanço ocorreu em um contexto de enfraquecimento dos órgãos federais de fiscalização durante o governo Jair Bolsonaro. O estado, porém, também enfrentava limitações próprias.
Ao fim de 2022, menos de 4% dos registros do Cadastro Ambiental Rural haviam sido validados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade. A baixa análise dos cadastros dificultava a identificação de registros sobrepostos a terras públicas e áreas protegidas, utilizados para avaliar a regularidade de ocupações. O governo passou a automatizar o sistema a partir de 2023.
Outro desafio estava na pecuária, principal vetor de desmatamento no Pará. Durante o primeiro mandato, o governo priorizou incentivos econômicos e adesões voluntárias pelo programa Territórios Sustentáveis, sem conseguir conter a perda florestal no curto prazo.
No segundo mandato, iniciado em 2023, o cenário mudou com a retomada da articulação com o governo federal e o reforço das ações estaduais de fiscalização. Em fevereiro daquele ano, o Pará decretou emergência ambiental e iniciou a Operação Curupira, com bases fixas que reuniram as polícias Civil, Militar e Científica e fiscais da Semas em 15 municípios considerados prioritários.
As operações ampliaram a presença permanente do poder público em áreas críticas. No mesmo período, os alertas de desmatamento recuaram em municípios como São Félix do Xingu, Altamira e Portel. A retomada das operações do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também permitiu ações conjuntas com aplicação de multas, embargos de terras e apreensão de maquinários.
O governo estadual ainda lançou o Programa de Integridade e Desenvolvimento da Pecuária do Pará, que prevê a rastreabilidade individual do rebanho por meio de brincos eletrônicos integrados ao Sistema Oficial de Rastreabilidade Bovídea Individual. A obrigatoriedade integral da identificação, porém, foi adiada para o fim de 2030 após pressões do setor agropecuário.
A combinação de ações estaduais e federais contribuiu para reduções consecutivas no desmatamento a partir de 2023. Apesar da melhora, o Pará continua no topo dos números absolutos de devastação da Amazônia Legal, mostrando que a reversão recente ainda precisa ser sustentada para se transformar em mudança estrutural.
Bioeconomia consolidou nova agenda para o estado
A bioeconomia foi apresentada pelo governo como eixo estratégico para transformar a biodiversidade amazônica em fonte de inovação, emprego e renda, tendo a floresta em pé como ativo econômico. Em dezembro de 2022, o governo instituiu o Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio), por meio do Decreto nº 2.746/2022. A política estabeleceu diretrizes para estimular cadeias produtivas sustentáveis e aproximar comunidades tradicionais, centros de pesquisa, empreendedores e empresas.
Segundo o governo estadual, até 2025 o PlanBio havia mobilizado cerca de R$ 900 milhões em investimentos e apoiado diretamente 2.800 negócios da sociobioeconomia. A realização da COP30, em Belém, colocou a bioeconomia no centro da projeção internacional da gestão.
Em novembro de 2025, na Zona Azul da conferência, o governo lançou o Vale Bioamazônico, inspirado no Vale do Silício e concebido para integrar pesquisa científica, biodiversidade, desenvolvimento de alimentos, cosméticos e fármacos e acesso ao mercado de capitais. Durante o evento, o Pará também firmou um acordo de cooperação com o governo da Califórnia para aproximar os ecossistemas de inovação dos dois territórios.
A base física da iniciativa é o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, inaugurado em outubro de 2025 no Complexo Porto Futuro II, em Belém. Instalado nos Armazéns 5 e 6 do antigo porto, o espaço ocupa aproximadamente 6 mil metros quadrados. O parque abriga um Centro de Negócios, voltado à aproximação entre comunidades, startups e empresas, e um Laboratório-Fábrica destinado ao desenvolvimento de ingredientes industriais e alimentos de maior valor agregado a partir da biodiversidade.
A inauguração do parque representou o cumprimento da entrega física anunciada na campanha, mas sua consolidação depende da ampliação das atividades previstas. O modelo inclui estruturas como a Escola de Saberes da Floresta, o Centro de Inovação em Bioeconomia e o Centro de Gastronomia, cujas operações vêm sendo implantadas gradualmente.
Também permanece o desafio de medir os efeitos dos investimentos anunciados. A consolidação da política de bioeconomia dependerá da capacidade de transformar os recursos em cadeias produtivas permanentes, ampliar o acesso das comunidades aos mercados e demonstrar resultados na geração de renda, conservação da floresta e redução das desigualdades.
Representatividade inédita dos povos indígenas, participação contestada
O fortalecimento da participação dos povos indígenas foi uma das promessas dos planos de governo de Helder Barbalho. As propostas previam ampliar o protagonismo dessas populações, apoiar suas atividades produtivas e respeitar a consulta livre, prévia e informada em decisões que afetassem seus territórios.
Uma das principais mudanças ocorreu em 2023, com a criação da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (SEPI), primeira pasta estadual dedicada exclusivamente ao tema. A ativista Puyr Tembé, liderança do povo Tenetehara, foi nomeada para comandar a secretaria e se tornou a primeira mulher indígena no primeiro escalão do governo paraense. Em dezembro de 2024, o governo firmou acordo para construir uma nova sede da SEPI, com investimento previsto de R$ 22,5 milhões.
Consulta prévia tornou-se foco de tensão
Apesar do avanço institucional, a relação entre o governo e os povos indígenas foi marcada por conflitos sobre a participação efetiva nas decisões. O principal ocorreu no fim de 2024, quando o governo sancionou a Lei Estadual nº 10.820/2024. A medida alterava o Sistema de Organização Modular de Ensino Indígena e previa a introdução da educação a distância em comunidades indígenas sem a realização da consulta prevista na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho.
A lei provocou a ocupação da sede da Secretaria de Estado de Educação, em Belém, por cerca de três semanas. Após negociações, o governo firmou acordo com as lideranças e revogou a medida em fevereiro de 2025. As críticas também alcançaram a construção do sistema jurisdicional de REDD+ no Pará. Organizações indígenas e representantes de comunidades tradicionais afirmaram que seus protocolos próprios de consulta não foram respeitados durante a elaboração do modelo estadual de créditos de carbono.
Os episódios evidenciaram um dos principais desafios da gestão: transformar a presença institucional em participação efetiva. Para as lideranças indígenas, a criação de uma secretaria específica não substitui o cumprimento dos mecanismos de consulta previstos na legislação e nos acordos internacionais.
Mercado de carbono ampliou projeção e desafios jurídicos
O mercado de carbono tornou-se outro pilar da estratégia climática de Helder Barbalho. O mecanismo de REDD+ remunera reduções comprovadas de emissões provenientes do desmatamento e da degradação florestal. Em setembro de 2024, o governo do Pará anunciou um acordo com a Coalizão LEAF/Emergent, apresentado pelo Executivo como o maior compromisso subnacional de financiamento climático do país.
O acordo prevê a comercialização de até 12 milhões de créditos de carbono, com potencial de movimentar US$ 180 milhões, cerca de R$ 1 bilhão na época. Os pagamentos dependem da comprovação das reduções de emissões pelo padrão internacional TREES, da Architecture for REDD+ Transactions.
Segundo o governo, os recursos seriam destinados à conservação, à restauração florestal e ao desenvolvimento sustentável, com benefícios para indígenas, quilombolas, extrativistas e agricultores familiares. Mas o acordo dividiu opiniões. Organizações indígenas, quilombolas e extrativistas contestaram o fato de o acordo ter sido firmado antes da realização dos processos de consulta previstos na Convenção nº 169 da OIT.
Segundo essas entidades, o plano de consultas foi apresentado cerca de oito meses depois da assinatura e estabeleceu cronogramas e formatos incompatíveis com os tempos de decisão das comunidades. A repartição dos recursos também provocou divergências. Embora estimativas utilizadas pelo programa indiquem que os territórios indígenas concentram cerca de 37% do estoque de carbono florestal do Pará, a proposta inicial destinava apenas 20% da receita aos povos indígenas.
O Ministério Público Federal também questionou a natureza jurídica do acordo. Em recomendação técnica, o órgão sustentou que a transação poderia configurar venda antecipada de créditos de carbono futuros, hipótese vedada pela Lei Federal nº 15.042/2024, que regulamenta o mercado de carbono no Brasil.
Posteriormente, o Conselho Nacional do Ministério Público suspendeu os efeitos da recomendação, permitindo a continuidade do processo enquanto a discussão jurídica prosseguia. O governo defendeu a legalidade do acordo e afirmou que o sistema seguiria padrões internacionais de monitoramento, verificação independente e repartição de benefícios. Organizações indígenas, quilombolas e extrativistas, porém, continuam cobrando maior transparência, participação nas decisões e revisão dos critérios de distribuição dos recursos.
Petróleo e Ferrogrão desafiam o discurso climático do Pará
Ao mesmo tempo que investiu em bioeconomia, redução do desmatamento e mercado de carbono, o governo Helder Barbalho apoiou dois projetos de grande impacto econômico e ambiental: a exploração de petróleo na Margem Equatorial e a construção da Ferrogrão. As iniciativas foram defendidas como oportunidades de arrecadação, geração de empregos e melhoria da infraestrutura, mas passaram a ser apontadas por críticos como contradições da agenda climática estadual.
Helder Barbalho adotou uma posição favorável à exploração de petróleo na Margem Equatorial, condicionada ao cumprimento das exigências ambientais. Em março de 2024, durante o Fórum Transição Justa e Segurança Energética, em São Luís, ele defendeu que a Petrobras participasse do financiamento da preservação da Amazônia e da transição energética da região.
O argumento do governo era que os recursos da exploração poderiam financiar uma economia de baixo carbono, ampliar os investimentos na floresta e gerar empregos, arrecadação e novas oportunidades econômicas. A posição, porém, entrou em conflito com o discurso de transição energética promovido pela própria gestão, uma vez que a abertura de uma nova fronteira petrolífera prolongaria a produção de combustíveis fósseis.
O debate envolve, portanto, não apenas o licenciamento, mas o papel que o petróleo ocuparia no modelo econômico defendido pelo Pará e quais garantias assegurariam que eventuais receitas fossem aplicadas na conservação e na diversificação produtiva.
Ferrogrão promete competitividade logística
Outro projeto apoiado pelo governo é a Ferrogrão, oficialmente denominada EF-170. Com cerca de 933 quilômetros, a ferrovia foi planejada para conectar a região produtora de grãos do Centro-Oeste ao Porto de Miritituba, no Pará. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres, a obra formaria um novo corredor de exportação pelo Arco Norte, integrado à BR-163, com capacidade projetada superior a 50 milhões de toneladas de cargas por ano.
Para seus defensores, a transferência de parte do transporte rodoviário para os trilhos reduziria custos, acidentes e emissões associadas ao uso de caminhões. A ferrovia também poderia desafogar a BR-163 e aumentar a participação dos portos paraenses nas exportações. O avanço do empreendimento, entretanto, depende do licenciamento ambiental, do modelo de concessão e de decisões relacionadas aos limites do Parque Nacional do Jamanxim, que precisariam ser alterados para acomodar o traçado previsto.
Para povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações que atuam no Tapajós, os impactos ultrapassariam a área ocupada pelos trilhos. O temor é que a obra fortaleça o corredor logístico formado pela BR-163, portos, hidrovias e terminais, aumentando a pressão sobre terras públicas e territórios tradicionais.
Documentos do MPF mencionam riscos de grilagem, desmatamento, ocupação irregular e impactos cumulativos das obras. O órgão também aponta que projetos na região avançaram sem a avaliação adequada de seus efeitos conjuntos e sem consulta livre, prévia e informada às populações afetadas.
A liderança indígena Alessandra Korap Munduruku tornou-se uma das principais vozes contrárias à Ferrogrão. Em 2025, ela classificou o projeto como um “atalho para o colapso climático, agrícola, alimentar e econômico do Brasil” e defendeu que os investimentos fossem direcionados à regularização fundiária, à demarcação de terras e às economias da sociobiodiversidade.
A defesa da Margem Equatorial e da Ferrogrão expõe o principal dilema da agenda socioambiental do governo: conciliar as metas de redução de emissões e proteção territorial com projetos ligados aos combustíveis fósseis e à expansão das exportações de commodities.
O legado que Hana Ghassan terá nas urnas
Ao assumir o governo em abril de 2026, Hana Ghassan herdou políticas já estruturadas nas áreas de clima e bioeconomia, mas também desafios sem solução definitiva. Entre eles estão a liderança do Pará no desmatamento da Amazônia Legal, os conflitos sobre a participação dos povos tradicionais e a defesa de projetos como a exploração de petróleo na Margem Equatorial e a Ferrogrão.
Na agenda ambiental, Hana ainda terá de definir como conduzirá o mercado jurisdicional de carbono, a consolidação do PlanBio, as consultas às comunidades tradicionais e os projetos associados à COP30. Também deverá esclarecer se manterá as posições de Helder Barbalho sobre petróleo e infraestrutura logística.
A eleição de 2026 será, portanto, um teste não apenas para a nova governadora, mas para todo o projeto político construído nos dois mandatos anteriores. Nas urnas, os avanços institucionais e a redução recente do desmatamento serão confrontados com os conflitos territoriais, as promessas ainda incompletas e as contradições da política climática paraense.