Duas crianças são mortas em ataque de garimpeiros a Yanomamis

Lideranças indígenas confirmaram a morte de duas crianças, de 1 e 5 anos de idade, durante o ataque criminoso realizado por garimpeiros em uma comunidade na Terra Indígena Yanomami. Segundo o G1, os corpos das duas crianças foram encontrados na última 4ª feira (12/5), dois dias após o tiroteio, boiando no rio Uraricoera. Segundo a Associação Hutukara, principal entidade representativa do Povo Yanomami, a maior parte das pessoas da comunidade de Palimiú se refugiou no próprio rio para fugir dos atiradores, o que pode ter precipitado o afogamento das duas crianças.

Na 6ª feira (14/5), a Justiça Federal determinou que o governo federal mantenha efetivo armado, de forma permanente, em Palimiú, para evitar novos confrontos e garantir a integridade física das pessoas. Segundo a Agência Brasil, a Polícia Federal está presente na região, acompanhada por membros do Exército Brasileiro e do IBAMA.

A situação também é tensa em outra área indígena, também no Pará. O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que peça intervenção federal na TI Munduruku, por conta do risco de confronto violento entre garimpeiros e indígenas contrários à exploração de ouro na unidade. No começo do mês, um grupo de garimpeiros invadiu a sede de uma associação indígena contrária ao garimpo em Jacareacanga. Há alguns meses, a sede de outra entidade Munduruku foi incendiada na mesma cidade. Segundo o Conselho Missionário Indígena (CIMI), o pedido foi reforçado pelos procuradores na semana passada, depois do ataque em Palimiú.

No Estadão, André Borges teve acesso a um estudo conduzido pelo Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, que analisou os impactos das invasões à TI Munduruku por garimpeiros. O retrato é preocupante: além da violência, os indígenas estão cada vez mais vulneráveis a doenças, em particular a COVID-19. Apenas nessa região, o levantamento contabilizou 31 mortes de indígenas durante a pandemia no ano passado. Além da COVID-19, os Munduruku também estão mais expostos à malária e à contaminação por metais pesados, como o mercúrio, utilizado na exploração do ouro.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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