Dinamarca frustra Brasil e adia investimento no Fundo Amazônia

O encontro bilateral entre Lula e a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, terminou sem a confirmação do aporte esperado pelo Brasil

Contrariando as previsões do governo brasileiro, a Dinamarca optou por não confirmar investimento no Fundo Amazônia durante a cúpula realizada em Bruxelas, Bélgica, que termina nesta terça-feira, 18 de julho.

Durante uma reunião bilateral, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, declararam a intenção de aprovar uma contribuição para o Fundo Amazônia no orçamento da Dinamarca.

Lula e a primeira ministra da Dinamarca Mette Frederiksen Ricardo Stuckert Divulgacao
O presidente Lula e a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, em encontro em Bruxelas nesta terça (18) – Ricardo Stuckert/Divulgação

Contribuições recentes

Desde que retomou suas atividades, o Fundo tem recebido novos aportes. Dentre eles, se destacam a contribuição da União Europeia de R$ 108 milhões, do Reino Unido com R$ 500 milhões e dos Estados Unidos, com um aporte considerável de R$ 2,5 bilhões.

Palco para reuniões estratégicas

O encontro entre Lula e Frederiksen ocorreu no contexto da Celac-UE, evento que congrega líderes de 33 países da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e 25 da União Europeia (UE).

CELAC foto Thierry Monasse Getty Images
Líderes da UE, Caribe, América Latina e União Europeia participam de uma cúpula da União Europeia e da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) na Europa, sede do Conselho da UE em 18 de julho de 2023 em Bruxelas, Bélgica – foto: Thierry Monasse/Getty Images

O Fundo Amazônia foi criado em 2008, durante o segundo mandato de Lula, com o objetivo de angariar doações para a luta contra o desmatamento na floresta tropical. Os recursos só são liberados mediante comprovação de redução do desmatamento.

Histórico e impacto

Desde o início, o mecanismo já recebeu R$ 3,3 bilhões em doações, valor que atingiu R$ 5,5 bilhões com a inclusão de rendimentos financeiros. A maioria dos projetos são implementados em parceria com ONGs e os nove estados amazônicos.

Até o início deste ano, já foram aprovados 102 projetos, num total de R$ 1,74 bilhão. O fundo conta com 384 instituições participantes, 195 unidades de conservação apoiadas, 59 mil indígenas beneficiados, 207 mil pessoas favorecidas com atividades sustentáveis e 1.700 missões de fiscalização ambiental.

Controvérsias e futuro

Em 2019, o Fundo Amazônia foi paralisado sob o mandato de Ricardo Salles, então Ministro do Meio Ambiente no governo de Jair Bolsonaro. Após um decreto presidencial que extinguiu conselhos participativos, entre eles dois que monitoravam as ações do Fundo Amazônia, o mecanismo foi reativado somente este ano, sob a gestão de Lula. Agora, o futuro do fundo depende das futuras contribuições, como a esperada da Dinamarca.

Como ministro de Bolsonaro Ricardo Salles esq. deixou como legado para a Amazonia as maiores taxas de desmatamento em 12 anos Foto Marcos Correa PR
Como ministro de Bolsonaro, Ricardo Salles (esq.) deixou como legado para a Amazônia as maiores taxas de desmatamento em 12 anos (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Com informações da Folha de São Paulo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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