Desmatamento no Amazonas pode causar R$ 15 bi de prejuízo em 30 anos

Em estudo recente publicado nesta quarta-feira (12), dados do Imaflora apontam que a preservação é muito mais rentável do que o desmatamento no Amazonas

Um estudo do Instituto de Manejo e Certificação Florestal (Imaflora) aponta que a preservação florestal é mais rentável do que desmatamento. Segundo a análise, o desmatamento no sul do Amazonas pode causar um prejuízo acumulado de R$ 15 bilhões em 30 anos.

O cálculo considera o valor de atividades sustentáveis, como extrativismo, manejo florestal e projetos de créditos de carbono. A pesquisa focou nas Florestas Públicas Não Destinadas (FPND) localizadas ao redor da rodovia BR-319, que conecta Manaus (AM) a Porto Velho (RO).

Governo propõe modelo de fiscalização ambiental na rodovia BR-319, que liga os estados do Amazonas e Rondônia
Rodovia BR-319, que liga os estados do Amazonas e Rondônia | Foto: PPBIO CENBAM Fernando O.G. Figueiredo

“O uso sustentável das FPNDs é muito mais eficiente do que sua conversão para pastagens, por exemplo”, destaca Pedro Gasparinetti, um dos autores da análise sobre o desmatamento no Amazonas, em matéria do Brasil de Fato.

De acordo com o estudo do Imaflora, cada hectare de floresta no sul do Amazonas armazena 324 toneladas de carbono, o que pode atrair bilhões em investimentos no mercado de créditos de carbono. Marco Lentini, coautor do boletim, destaca que a pecuária extensiva, principal causa do desmatamento na região, gera apenas entre R$ 500 e R$ 750 por hectare ao ano — um valor muito inferior ao potencial econômico das florestas preservadas.

‘Corrida para Belém’ levanta fundos em créditos de carbono para preservar Amazônia
‘Corrida para Belém’ levanta fundos em créditos de carbono para preservar Amazônia | Imagem gerada por IA

Desmatamento no Amazonas em terras públicas

Cerca de 50% do desmatamento da Amazônia ocorre em terras públicas, principalmente nas florestas públicas não destinadas (FPNDs), que abrangem 63 milhões de hectares. Em 2024, essas foram as mais afetadas por incêndios. O fogo, junto com o desmatamento, é uma ferramenta comum na grilagem, prática ilegal que envolve a apropriação indevida de terras públicas.

No centro-sul do Amazonas, as FPNDs ocupam 11,7 milhões de hectares e enfrentam forte pressão devido à expansão desordenada de estradas, invasões e conflitos que ameaçam direitos tradicionais. Como o desmatamento nessas áreas gera impactos locais, nacionais e globais, o documento do Imaflora ressalta que é essencial reconhecer sua importância para justificar políticas de proteção eficazes.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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