Desmatamento e garimpo ilegal levaram pandemia a aldeias indígenas na Amazônia

Os resultados de uma pesquisa inédita sobre os caminhos que o novo coronavírus tomou para adentrar em aldeias indígenas nos lugares mais remotos do Brasil não surpreendem: o avanço do desmatamento e do garimpo ilegais é um dos principais vetores de contágio, especialmente na Amazônia. O estudo, divulgado pela Folha, cruzou dados do ministério da saúde com informações diárias do sistema DETER, operado pelo INPE. A análise, feita em mais de 5 mil municípios, mostrou que pelo menos 22% de todos os casos de COVID-19 confirmados em Povos Indígenas até 31 de agosto passado estão relacionados com essas atividades criminosas. Nos municípios que registram desmatamento e garimpo ilegal, os casos do novo coronavírus sobem quase 180%, em média.

O estudo foi publicado pelo economista Humberto Laudares, da Universidade de Genebra (Suíça), no boletim Covid Economics, editado pelo Centre for Economic Policy Research. Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), até ontem (26/10) 37.777 casos de COVID-19 tinham sido registrados em 158 Povos Indígenas, causando a morte de 862 pessoas desde o começo da pandemia.

Enquanto isso, o governo Bolsonaro pretende eliminar a meta que exige da Funai ações de proteção a Direitos Indígenas em 100% das comunidades no Brasil, prevista no plano plurianual da União para 2020-2013. Segundo a Folha, o ministério da justiça argumenta que esse percentual seria “audacioso e inexequível” e propôs inicialmente que ele fosse revisado para apenas 40% das comunidades; depois de cobranças da pasta da economia, a nova meta proposta é de 80%.

Em tempo: A Reuters informou que o Ministério Público Federal (MPF) e organizações da sociedade civil pediram ao Tribunal de Contas da União (TCU) a paralisação do processo de licitação da Ferrogrão, um dos principais projetos de infraestrutura do governo federal. De acordo com o pedido, a União não realizou consulta pública aos Povos Indígenas que serão afetados pela obra e pela operação da ferrovia.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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