Depois de liberar garimpo em assentamentos, INCRA prevê participação nos lucros de megaprojeto de ouro no Pará

No Estadão, André Borges revelou que o INCRA parece interessado em entrar no negócio da mineração de ouro na Amazônia. Após aprovar a redução da área de um assentamento de reforma agrária na região de Altamira (PA), para abrir espaço à exploração de ouro, o INCRA firmou um contrato com a mineradora Belo Sun para receber parte dos lucros do empreendimento, que promete ser o maior projeto de ouro do Brasil.

O contrato não detalha o percentual a ser repassado pela mineradora ao INCRA, mas o documento prevê o repasse de R$ 1,34 milhão ao órgão governamental a título de “contraprestação pelo uso da área do imóvel pertencente” ao INCRA. Com isso, o território do assentamento Ressaca e da gleba Ituna, criadas há mais de duas décadas, será reduzido em 2,4 mil hectares.

A Defensoria Pública da União (DPU) já confirmou que acionará a Justiça Federal para pedir a anulação do contrato, alegando que as condições dele são ilegais. A Polícia Federal também está envolvida neste caso, averiguando a denúncia de comercialização de terras públicas com a Belo Sun.

Em tempo: Em entrevista ao RFI, o pesquisador francês François- Michel Le Tourneau explicou como as condições macroeconômicas do Brasil atual reforçaram a mentalidade atrasada do governo Bolsonaro no que diz respeito à exploração da Amazônia. “O governo, diante desta crise econômica, está retomando o discurso dos militares nos anos 1970 diante do choque do petróleo. Quando subiu o preço do petróleo, explodiu a dívida do Brasil, e se procurava recursos onde se podia achar. E o ouro parecia uma miragem: ‘Vamos pagar nossa dívida achando ouro na Amazônia’”, explicou Le Tourneau. “Muita gente do governo tem essa visão que é muito simples: se achar ouro, o país se enriquece. Mas é mais complicado que isso”.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

A insensatez de incendiar a floresta que abastece o Brasil

Com a chuva gerada pela Amazônia avaliada em mais...

Desmatamento na Amazônia atinge menor nível em 41 anos, aponta MapBiomas

Desmatamento na Amazônia cai ao menor nível em 41 anos, com 693 mil hectares perdidos em 2025, aponta MapBiomas.

Incêndios no Amazonas: Abin entra na investigação para apurar suspeita de ação organizada

Ministro aponta suspeita de ação organizada nos incêndios no Amazonas. Força-tarefa abre 120 procedimentos para investigar possíveis crimes.

Promessa de Flávio Bolsonaro contra desmatamento contrasta com atuação no Senado

Flávio Bolsonaro promete zerar o desmatamento ilegal até 2029, mas apoiou e promoveu medidas que reduzem a proteção ambiental.

As miragens de Trump e a conta para o Brasil

"Os Estados Unidos acumulam uma década de superávits comerciais...