Cronos, a divindade do tempo, nos impõe criar saídas

Faz sentido – quando a escuridão se alonga – recorrer aos oráculos. A mitologia grega trata a divindade Cronos como permanente ameaça da ordem natural. Afinal, é a mais jovem e impetuosa das divindades. Cronos é rei dos titãs e deus do tempo. Neste momento de inquietação no Amazonas, Cronos nos convida à devoção e ao alinhamento.

Viver sob a estrutura de uma economia baseada em contrapartida fiscal, bombardeada pelos sentimentos mais atrozes, implica dizer que Cronos corre em nosso desfavor. Vimos passar 50 anos – um piscar de olhos de Cronos – por onde desfilaram, se constituíram e se esfumaçaram sonhos. Mais 50, portanto, nos inquietam à vista das pressões incessantes que nos encurralam e exigem construir alternativas perenes. Urge assoalhar novos caminhos. Bem ou mal já vislumbramos e planejamos as mais belas soluções econômicas para mudar a paisagem do crescimento social e consolidação da prosperidade regional.

Podemos destacar o PlanAmazonas, de Gilberto Mestrinho, dos anos 90, entre outros planos estratégicos que norteassem a construção do futuro sob a equação do meio ambiente em harmonia com o desenvolvimento. Pouco ou quase nada saiu do papel. Perderíamos tempo em procurar culpados e caçar bruxas. Agora é hora de fazer as coisas acontecerem, posto que já sabemos aonde não ir e temos clareza daquilo que precisamos para navegar a céu aberto. Atento à questão do tempo, o pedido a se fazer é para o governador do Amazonas conduzir essa jornada, pois apenas ele tem a legitimidade conferida pela população ao exercício desta inadiável tarefa.

O tempo não para

Além do condutor credenciado, dois outros atores podem e devem emprestar os conteúdos de suas bagagens para promover ajudar no mapeamento das novas escolhas, emprestar-lhes densidade científica e conferir-lhe inovação tecnológica. Assim, fica mais fácil assegurar resultados e benefícios. Referimo-nos à Ufam e à UEA. São elas as referências acadêmicas centrais que podem liderar o adensamento, a diversificação e a regionalização manufatureira do Polo Industrial de Manaus. Obviamente que essa cumplicidade entre economia e academia implica no envolvimento dos demais atores e instituições de pesquisa, desenvolvimento e mercado.

Contamos, entre outros parceiros, desde o mais recente, a FGV, a FIPE/ FEA/USP e UFMG, para citar os mais próximos. Algumas premissas já estão colocadas, a saber, o critério da sustentabilidade de um polo industrial que caminha com baixa emissão de carbono, sob a batuta da comunhão entre economia e ecologia.

Outro alerta diz respeito à proteção florestal, tratada pelos rigores da lei, que nos permite manejar 20% do acervo florestal. Recentemente, o presidente do STF, no julgamento de mais uma inconstitucionalidade no trato da ZFM, incluiu à proteção florestal como um de nossos ativos essenciais. Mas não precisamos de dispensar o manejo de apenas 5% a mais, ou seja, aproximadamente 16 milhões de hectares, para gerar riquezas. Isso nos permitiria, por exemplo, produzir 22 toneladas de proteína de peixe por hectare. Poderemos fazer clonagem de espécies de alto valor comercial, dermocosmético, medicinal e alimentar, para plantá-las extensivamente em áreas degradadas. Recomposição florestal com geração sustentável de riqueza social.

Protagonismo

“Se assim o fizermos poderemos ser protagonistas do nosso destino e não coadjuvante de uma ópera bufa! Não podemos mais ficar no discurso das grandes eloquências, enquanto somos atropelados pelas ações surdas que avançam sobre nós ”. O alerta é de Maurício Loureiro, Presidente do Conselho Superior do CIEAM, que bem poderíamos ecoar em nossos corações e mentes. Precisamos transformar em cláusulas pétreas cada item da estrutura legal que compõem nossa segurança jurídica, permanentemente dispostos a envolver as instâncias de guarda e zelo de nossa lei maior, os tribunais de justiça daqui e de acolá.

Mesmo dependendo ainda dos frutos da cesta majoritária, a ZFM, de onde o Amazonas extrai sua subsistência, nossa tarefa, de movimentar saídas e formulação de propostas, é dupla: consolidar e fortalecer essa bendita cesta, o polo industrial de Manaus e assegurar que as receitas repassadas pelas empresas ao poder público possam dar robustez ao desenvolvimento e a prosperidade geral.

Lembremo-nos do alerta de Wilson Périco, presidente do Cieam: “Chega de lamentação como se fôssemos coitados…temos que exigir respeito, direitos e assento nas mesas de debate da política fiscal, industrial, ambiental e de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil”. Voltaremos.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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