Da crise logística para a ação

Seguimos com a Lei nos apoiando, mas com poucas ações executivas na direção das correções. Seguimos com a proteção das empresas e proteções relativas ao meio ambiente, mas com pouco ou nenhum investimento na quantidade e direções corretas para a integração do Amazonas em relação ao país – crise logística

Por Augusto Cesar Barreto Rocha
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Em 2023 vivemos uma grande crise logística na indústria do Amazonas. Muito deixou de ser importado e muito custo extra foi experimentado. Espera-se que a Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC) mantenha a permissão excepcional para voos cargueiros estrangeiros transportando cargas para Manaus até o fim de fevereiro, com o propósito de concluir o trânsito de tudo que ficou retido e espalhado por aí.

A medida, dentre tantas outras que foram tomadas, foi de grande valia para a indústria do Amazonas. Mesmo conscientes de que o que realmente resolveu o problema foram as chuvas, precisamos manter as ações voltadas para a conclusão da crise iniciada em outubro passado.

A partir de agora, cabe às instituições, que o possuem o papel de desenvolver, tomarem as medidas para a construção das soluções mais duradouras para a logística do Amazonas. Esperamos que os Ministérios envolvidos diretamente com o tema: Transportes; Portos e Aeroportos; e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em conjunto com a Suframa, deem os próximos passos na direção de um Plano Amazonense de Logística e Transportes

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Foto divulgação

Sem investimentos contundentes na correção da falta de estoque de infraestrutura, ficaremos ao sabor das bênçãos de Deus e da Natureza com a chuva. Precisamos transcender os milagres e realizar os investimentos nunca feitos para a correção das desigualdades regionais.

Enquanto o Amazonas não receber mais investimentos que outras regiões, seguiremos a aumentar as assimetrias, ao invés de reduzi-las, contrariando o que determina a Constituição Federal. Seguimos com a Lei nos apoiando, mas com poucas ações executivas na direção das correções. Seguimos com a proteção das empresas e proteções relativas ao meio ambiente, mas com pouco ou nenhum investimento na quantidade e direções corretas para a integração do Amazonas em relação ao país.

O asfaltamento dos 405,4km do Trecho do Meio da BR-319, com todas as salvaguardas ambientais necessárias e mandatórias, precisa sair do papel para a realidade, com um Centro de Monitoramento, com gestão e fiscalização para assegurar que as obras em curso não se transformem em um rastro de destruição. Caberá aos entes federais em operação integrada realizarem seus papéis

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BR-319, Ponte sobre igarapé Caetano. (Foto:Divulgação/DNIT)

Além deste projeto, é necessária a garantia de navegabilidade para que o Rio Amazonas seja uma hidrovia com mais de 8m de calado ao longo do ano. Estas duas ações são muito importantes para o futuro industrial de Manaus, para não seguirmos ao sabor das incertezas de um Custo Amazônia que se soma ao Custo Brasil. Precisamos retirar as diferenças que existem em relação aos demais Estados do Brasil e estas duas obras são fundamentais

Leia também:

https://brasilamazoniaagora.com.br/2023/plano-amazonense-de-logistica/

Por fim, é importante que estas iniciativas se somem à redução dos custos das passagens aéreas na região, pois é fundamental uma integração por todos os modais, pois a Amazônia não é uma, mas são muitas e todas ainda estão muito isoladas entre si. Enquanto o transporte e a infraestrutura não construírem uma integração das capitais e delas com seus interiores, seguiremos com uma diferenciação danosa para os potenciais, falando de uma riqueza futura e de desenvolvimento como uma aspiração potencial e nunca como uma realidade potencial de nossos povos, mas como benefícios espalhados apenas para retirar os potenciais e transferir para os ricos de fora da região e do país

Augusto Rocha é Professor Associado da UFAM, com docência na graduação, Mestrado e Doutorado e é Diretor Adjunto do CIEAM

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Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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