Com a priorização dos laços familiares e sociais e períodos de ofertas que estimulam compras, o consumismo no Natal traz impactos significativos ao meio ambiente
O consumo consciente pode até fazer parte da vida de muitos ao longo do ano, mas, quando chega o Natal, pesquisas mostram que até mesmo defensores da sustentabilidade podem deixar de lado suas crenças e práticas. E não são apenas os presentes: o consumismo no Natal também inclui alimentos, suprimentos para festas, decorações, árvores e muito mais. Essas compras sazonais enchem nossas casas e amplificam o espírito festivo, mas também trazem um custo psicológico, financeiro e ambiental significativo.
O que nos leva a investir tanto nessa época, muitas vezes cientes do impacto que isso pode causar? Segundo um artigo publicado no início do mês por Byungdoo Kim, pesquisador do Centro de Negócios Sustentáveis da King’s College London, na Inglaterra, e o estudo “Eu quero ser verde, mas e a árvore de Natal?”, de 2020, essa mudança de prioridades pode ocorrer porque os relacionamentos familiares e os laços sociais ganham mais importância do que as preocupações ambientais durante o período festivo. No entanto, há outros fatores psicológicos em jogo, que podem levar até mesmo os consumidores mais conscientes a comprar mais do que o necessário.

O FOMO (Fear of Missing Out, ou “Medo de Perder”), amplamente explorado no marketing para impulsionar compras, também explica esse comportamento e intensifica o consumismo no Natal. Ofertas por tempo limitado criam um senso de urgência, estimulando decisões impulsivas dos consumidores. Esse efeito é ainda mais intensificado durante a Black Friday, estrategicamente posicionada antes das festas de fim de ano, quando as pessoas estão inclinadas a gastar mais.
Qual o impacto do consumismo no Natal no meio ambiente?
O aumento no consumo durante a temporada de festas traz consequências ambientais significativas e de longo alcance. Um dos efeitos mais imediatos é o aumento substancial de resíduos: desde embalagens excessivas e itens descartáveis até presentes insustentáveis e alimentos excedentes que acabam não sendo vendidos.
Embora parte desse lixo possa ser reciclada, uma grande parcela inevitavelmente termina em aterros sanitários. Agravando o impacto ambiental, cerca de 15% das compras nos Estados Unidos durante as festas são devolvidas segundo dados da Federação Nacional de Varejo, comportamento que se reflete também em outros países, como o Brasil. Roupas representam uma grande parcela das devoluções, especialmente nas compras online, onde cerca de 40% dos itens adquiridos são devolvidos. Isso ocorre porque os consumidores enfrentam dificuldades em avaliar o tamanho, o caimento e a qualidade das peças apenas pelas informações disponíveis na internet.

Essa alta taxa de devolução não apenas aumenta a quantidade de resíduos, mas também eleva as emissões de carbono, especialmente devido ao transporte necessário para enviar os itens de volta.
Assim, para reduzir o desperdício nas festividades de fim de ano e, especialmente, o consumismo no Natal, é recomendável priorizar produtos ecológicos, considerando fatores como durabilidade e fabricação ética. Outras alternativas incluem comprar de produtores locais, optar por presentes de segunda mão ou oferecer experiências como shows ou passeios, promovendo escolhas mais sustentáveis e conscientes.
