A difícil construção da competitividade industrial

Por Augusto Rocha
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Tem sido um desafio definir o que leva a competitividade industrial em cada época. O executivo Haroldo da Silva defendeu, no ano passado, uma tese de doutorado pela PUC-SP com o título “A agenda legislativa da indústria (CNI): a ação política dos industriais no congresso [1996-2021]”, onde discorre sobre o quanto a ação política da entidade industrial foi divergente do que seria intensão, pois a construção da agenda da indústria levou a desindustrialização prematura do país.

A análise superficial de problemas estruturais passa por muitos afetos e enganos, provavelmente não intencionais, afinal é ilógico supor que um industrial será capaz de agir contra sua atividade. Entretanto, foi o que o autor identificou. Começo citando-o como executivo por ele ter sido um ator ativo na construção desta agenda, sendo quase uma pesquisa participante – onde o pesquisador é envolvido com o tema pesquisado.

Como temos uma estrutura industrial que precisa ser reconstruída no país e há atualmente uma série de leituras rasas da realidade, onde prosperam análises equivocadas, com base em fatores onde há semelhança ou proximidade, mas não relacionados em causa e efeito. Assim, temos destruído políticas públicas fundamentais em um desmonte gradual do país e de suas políticas de sucesso para a indústria, ao invés de uma evolução.

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Foto divulgação

Um exemplo é o sistema de pesquisa e desenvolvimento das universidades públicas, que, mesmo com todo o desmonte dos últimos anos, segue sendo a base para as inovações do país, mas não parece apontar para um futuro muito próspero no olhar empresarial ou das políticas em gestação.

No entanto, abundam falácias e análises superficiais onde “as universidades deveriam ser mais inovadoras”. Encontrar soluções fáceis e rápidas para políticas públicas é uma impossibilidade. Afinal, se tudo fosse fácil e rápido, todos os países do mundo seriam desenvolvidos, não haveria doenças, guerras ou competições.

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A elite do capital nacional precisa reconstruir as pontes com as elites que constroem políticas públicas de sucesso, sob o risco de seguirmos a destruir o país e a sua estrutura de modernidade mínima. O crescimento do PIB abaixo da média internacional e o encolhimento da indústria são evidências objetivas.

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Um dos inúmeros aspectos discutidos pela tese é muito evidente, em um paralelo, ao caso da Zona Franca de Manaus: o interesse de grupos estrangeiros é normalmente divergente dos interesses do Brasil e, muito frequentemente, diferente dos interesses de grupos de empresários nacionais. Normalizar como se tudo fosse uma coisa só é um equívoco.

A política neoliberal e o Consenso de Washington foram pródigos em destruir desenvolvimentos de alguns países, basta ver o que vem sendo feito nos últimos anos dos EUA. Queremos um “Estado mínimo”, mas quando chega a primeira crise, espera-se apoio do Estado. Este simples descompasso de interesses diz muito sobre favores e para quem serão os favores e o quanto as políticas podem se perder e, como consequência, destruir, ao invés de construir.

Augusto Rocha é Professor Associado da UFAM, com docência na graduação, Mestrado e Doutorado e é Coordenador da Comissão CIEAM de Logística e Sustentabilidade

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Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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