Ciência e justiça regional: o chamado da Amazônia

“Não se trata apenas de corrigir distorções técnicas, mas de realizar justiça histórica, social e ambiental. Atender ao chamado da Amazônia é aplicar na própria região aquilo que ela mesma gera. A ciência tropical, a tecnologia de base florestal, a indústria do conhecimento e a bioeconomia são as pontes que conectam a floresta em pé ao desenvolvimento sustentável”

São redirecionados para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), cuja aplicação ignora, em larga medida, as urgências e potencialidades da região que gera a riqueza. Esse modelo precisa ser revisto. É inaceitável que, em pleno século XXI, uma região que concentra mais da metade dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDHs) do país continue sendo tratada como mera fornecedora de excedente fiscal, sem contrapartidas estruturantes.

O preceito constitucional que justifica os incentivos fiscais do Polo Industrial de Manaus é claro: promover o desenvolvimento da Amazônia. No entanto, o que temos assistido é a desconexão entre essa diretriz e as políticas públicas de fomento à ciência, tecnologia e inovação. O que falta à Amazônia não é somente dinheiro, mas coerência, visão de futuro e compromisso federativo.

chamado da Amazônia
Foto divulgação

É preciso romper com a lógica centralizadora e tecnocrática que faz com que recursos estratégicos, que deveriam irrigar a inteligência regional, sejam drenados para projetos alheios à realidade amazônica. A floresta não precisa apenas de proteção — ela precisa de protagonismo. As soluções para os desafios da Amazônia — energia, conectividade, logística, saúde e bioeconomia — só poderão surgir da Amazônia.

Aqui está o maior laboratório vivo do planeta, aqui estão as perguntas urgentes da humanidade, aqui também estão as sementes de um novo paradigma de desenvolvimento, fundado no conhecimento, na biodiversidade e na inclusão social. A Universidade do Estado do Amazonas, como a principal instituição pública de ensino superior genuinamente amazônica, está pronta para liderar esse movimento.

Temos presença em todas as regiões do estado, professores e pesquisadores comprometidos com soluções de base científica e tecnológica, e a legitimidade de quem conhece o território, as populações e seus saberes. Mas precisamos de mais. Precisamos de investimento. De uma política de PD&I que não apenas respeite, mas priorize a Amazônia como vetor estratégico de futuro para o Brasil e o mundo.

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Como explicar que até mesmo empresas interessadas em desenvolver tecnologias sustentáveis com base na seringueira amazônica — para produzir pneumáticos, preservativos ou equipamentos hospitalares — sejam obrigadas a importar borracha de outras regiões, enquanto nossa floresta continua à margem da inovação? Como justificar a ausência de um complexo farmacêutico regional que enfrente doenças tropicais negligenciadas? Como aceitar que tenhamos proteína vegetal abundante, mas faltem laboratórios e projetos para transformar essa riqueza em alimentação e renda?

Não se trata apenas de corrigir distorções técnicas, mas de realizar justiça histórica, social e ambiental. É preciso aplicar na Amazônia aquilo que a Amazônia gera. A ciência tropical, a tecnologia de base florestal, a indústria do conhecimento e a bioeconomia são as pontes que conectam a floresta em pé ao desenvolvimento sustentável. Este é o chamado da nossa história. E a Universidade do Estado do Amazonas o escuta com atenção e compromisso.

Andre Zogahib 1
Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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