“Que suas trajetórias inspirem jovens pesquisadores, fortaleçam as instituições de ciência e tecnologia e reafirmem que não há soberania ambiental sem investimento contínuo em pesquisa.”
O Planet Earth Award 2026, concedido pela Aliança Mundial de Cientistas (AWS), vai além da honraria individual. É um reconhecimento internacional à ciência brasileira, quando ela se coloca na linha de frente da defesa da vida na Terra.
Neste ano, dois pesquisadores simbolizam essa convergência entre rigor acadêmico e compromisso público: Paulo Artaxo e Luisa Maria Diele-Viegas.
Paulo Artaxo: a Amazônia como engrenagem do clima planetário
Físico, professor titular da USP, bolsista produtividade do CNPq e integrante do Conselho Científico da COP30, Paulo Artaxo é uma das maiores referências mundiais na compreensão da relação entre floresta amazônica e clima global.
Seus estudos sobre aerossóis atmosféricos, emissões biogênicas da vegetação e forçantes radiativas ajudaram a decifrar um dos mecanismos mais complexos do sistema terrestre: como a floresta influencia a formação de nuvens, o ciclo hidrológico e o balanço energético do planeta.

Artaxo demonstrou, com base empírica robusta, que a Amazônia, muito além de um estoque de carbono, é um agente ativo da estabilidade climática global. Sua pesquisa ajudou a transformar a narrativa ambiental: da floresta como paisagem exótica para a floresta como infraestrutura climática estratégica da humanidade.
Sua trajetória mostra que ciência de excelência não é neutra diante da crise: ela esclarece, orienta políticas públicas e sustenta decisões internacionais baseadas em evidências.
Luisa Maria Diele-Viegas: ciência, biodiversidade e justiça climática
Se Paulo Artaxo representa a física do sistema climático, Luisa Maria Diele-Viegas simboliza a biologia da vulnerabilidade e da resistência.
Ecóloga, docente da UFBA, presidente da Rede Kunhã Asé de Mulheres na Ciência e do capítulo brasileiro da Organização para Mulheres na Ciência no Mundo em Desenvolvimento (UNESCO), Diele-Viegas articula três dimensões fundamentais: Pesquisa científica de alta qualidade; Defesa da biodiversidade e ampliação do protagonismo feminino e latino-americano na ciência

Sua atuação em estudos sobre mudanças climáticas e risco de extinção, investigando tolerância térmica e nicho ecológico de espécies ameaçadas, revela um ponto crucial da crise climática: não se trata apenas de temperatura média, mas de limites fisiológicos da vida.
Ao estudar lagartos de restinga, anuros de altitude e outros vertebrados tropicais, ela evidencia como o aquecimento global redefine fronteiras ecológicas e ameaça espécies já pressionadas por perda de habitat.
Mas sua contribuição vai além dos artigos científicos. Diele-Viegas também atua na construção de redes internacionais e na promoção de equidade na ciência – ampliando o acesso, a representação e a pluralidade no sistema científico brasileiro e global.
O significado maior da premiação
O Planet Earth Award reconhece trajetórias que unem produção científica de excelência e compromisso público. Nesse sentido, Artaxo e Diele-Viegas representam duas faces complementares de uma mesma urgência: a compreensão sistêmica do clima; a proteção concreta da biodiversidade e a transformação do conhecimento em ação
Num momento em que o Brasil se compromete a promover a transição energética como legado do Brasil na COP-30, a premiação de dois cientistas brasileiros com projeção internacional reforça uma mensagem estratégica:
Brasil: território da crise climática e da solução científica.
Ao parabenizar Paulo Artaxo e Luisa Maria Diele-Viegas, o Brasil celebra não apenas indivíduos, mas a força de uma comunidade científica que insiste em produzir evidências, dialogar com a sociedade e defender o planeta com base no conhecimento.
Que suas trajetórias inspirem jovens pesquisadores, fortaleçam as instituições de ciência e tecnologia e reafirmem que não há soberania ambiental sem investimento contínuo em pesquisa.
