Cacau: Fonte de renda e de novas perspectivas para comunidade indígena

“Quando a gente quer e acredita, corre atrás para realizar o sonho. Estamos animados para melhorar cada vez mais a qualidade do cacau daqui, contando com o apoio e a capacitação que estamos recebendo”, resume José Mopiraneme Suruí, cacique da aldeia Mauira.

Como uma das lideranças do povo Paiter Suruí, da Terra Indígena (TI) Sete de Setembro, no estado de Rondônia, Mopiraneme tem participado de programas de capacitação para fortalecer a produção de cacau em sua comunidade. O produto vem sendo uma aposta como fonte alternativa de renda para as famílias com o aumento do interesse do mercado pela matéria-prima do chocolate.

Os indígenas da aldeia começaram a trabalhar com o cacau em 2015, com o apoio da Forest Trends, mas um incêndio destruiu a plantação. Restaram apenas alguns pés que, mais tarde, foram usados para retirada de novas sementes. Esse trabalho iniciado com Mopiraneme e outros 12 produtores do povo Paiter Suruí fez parte do processo de concepção do que viria a ser o projeto Nossa Floresta, Nossa Casa – Mosaico Tupi.  

“Há uns anos, minha comunidade não tinha apoio. A ajuda da Forest Trends, com material e capacitação, e da Ceplac nos dá incentivo. Conseguimos uma visão de futuro para continuar com o cultivo”, completa Mopiraneme. A Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) é o órgão ligado ao governo brasileiro, que visa apoiar o desenvolvimento da cadeia produtiva.

Originário da Amazônia, o cacau nativo tem propriedades sensoriais (organolépticas), que são características específicas de substâncias puras e de alimentos, podendo ser um grande diferencial para o produto final. Além disso, tem ajudado na preservação da floresta e servido para reflorestar áreas degradadas, com a implantação de Sistemas Agroflorestais. 

A fruta cresce grudada no tronco do cacaueiro, e a colheita é feita manualmente com a ajuda de podão de cacau (uma ferramenta específica para cortar a planta). A amêndoa da fruta é matéria-prima para a produção de chocolates. 

“Estamos buscando valorizar cadeias sustentáveis em comunidades indígenas, que garantam a conservação da floresta e uma fonte de renda para os moradores. Um dos nossos objetivos é fortalecer a governança dessas cadeias e ajudar a inserir os produtos no mercado”, diz Carlos Silva, assessor da Forest Trends. 

Segundo Silva, a proposta é ampliar a abrangência das capacitações da cadeia do cacau para outras TIs, como a Rio Branco. “Queremos envolver também os jovens nesse processo”, afirma.

O engenheiro ambiental Cairã Andrade, da Forest Trends, lembra que a ação tem procurado envolver também empresas para facilitar o acesso dos produtos sustentáveis ao mercado, com valorização do valor pago aos produtores tradicionais – um dos pilares do Nossa Floresta. 

Neste caso, o envolvimento é com a De Mendes Chocolates Amazônicos, empresa criada pelo chocolatier César De Mendes, que trabalha com cacau nativo da região e faz parceria com produtores locais e de comunidades tradicionais. Nascido em Macapá, o chocolatier é filho de mãe quilombola e pai ribeirinho. Parceiro comercial estratégico, De Mendes está envolvido no processo de formação dos produtores de cacau Paiter Suruí, no âmbito do projeto Nossa Floresta, Nossa Casa.

Além da De Mendes Chocolates Amazônicos, a ICGT-FT vem estabelecendo parcerias com o setor privado, buscando diversificar o acesso das iniciativas econômicas indígenas a mercados diferenciados, como é o caso da empresa europeia de chocolates finos Original Beans. 

Próximos passos

Mopiraneme diz que pretende buscar recursos para a compra de um sistema de irrigação para manter a qualidade da produção.

Por meio do projeto, a Forest Trends também prevê como uma das etapas a construção de estruturas para fermentação e secagem das amêndoas.

Mais informações sobre a FT em https://www.forest-trends.org/ e sobre a De Mendes em  https://www.demendes.com.br/ 

Fonte: PPA

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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