Brasileiro cria máquina que pode plantar 4 mil árvores por hora

A empresa Mahogany Roraima desenvolveu uma máquina 100% automática, com capacidade para plantar mudas de espécies diversas numa velocidade de 13 km/h – ou 20 hectares a cada 3 horas e meia. Chamada de  “Forest Bot”, a máquina planta, rega e fertiliza as mudas de árvores de forma automatizada. A máquina ainda levanta dados do plantio, como localização. 

O desenvolvimento da máquina veio da necessidade da empresa em plantar mudas de diferentes espécies em locais específicos de forma rápida e barata. “Em uma floresta, cada árvore deve ocupar um lugar específico para que ela cresça e se desenvolva e, plantando manualmente, é muito mais difícil colocar cada árvore em seu lugar”, diz Marcello Guimarães, presidente do Conselho Administrativo da empresa.

Segundo ele, graças à máquina, a Mahogany tem condições de plantar 16 mil árvores em apenas 3 horas e meia (ou 4.571 árvores por hora), com só três operadores. “Com dez máquinas poderíamos plantar 200 hectares de floresta a cada 3 horas e meia. Em um ciclo de 24 horas, poderíamos plantar 1.200 hectares por dia ou 438.000 hectares por ano usando apenas dez máquinas”, calcula Guimarães.

Com 100 máquinas, então, em apenas 14 anos seria possível plantar 1 trilhão de árvores, que, segundo cientistas, seriam suficientes para conter o problema de emissão de gases que causam o efeito estufa no planeta. “Atualmente, as maiores plantações de floresta do mundo somam uma média de plantio de 42 milhões de árvores por ano. Neste ritmo, demoraria 23 mil anos para atingir o número de plantios necessários”, exemplifica o empresário.

Chamada de  “Forest BOTs”, a máquina de plantar floresta foi desenvolvida pela empresa Mahogany Roraima

Tecnologia e georreferenciamento

As máquinas terão um sistema de autocondução, ou seja, a máquina movimenta-se sozinha sem auxílio humano, operação robotizada de sua tarefa, orientação por GPS, inteligência artificial e análise da imagem 3D dos objetos, registro de todas as ações no banco de dados do máquina, com geoprocessamento e transferência de dados para a nuvem (assim que conectada a uma rede internet), controle de todas as ações por software, sistema de autoteste automático, verificação automática da qualidade da tarefa executada, entre outros sistemas.

Viveiros em larga escala

De acordo com Marcello, a única dificuldade de um plantio em massa – a produção de mudas em larga escala – poderia ser solucionada com a instalação de viveiros em diversos estados ao mesmo tempo, mesclando a produção em 50% de espécies nativas e 50% de exóticas.

“AJUDARIA A RESOLVER O PROBLEMA DE CORTE DE ÁRVORES NATIVAS NO FUTURO, PORQUE ESTARÍAMOS PLANTANDO ESPÉCIES QUE PODEM SER CORTADAS TAMBÉM. AS NATIVAS PERMANECERIAM NO LOCAL FORMANDO AS NOVAS FLORESTAS, E AS EXÓTICAS, ANOS APÓS O PLANTIO, PODERIAM SER CORTADAS PARA A INDÚSTRIA MADEIREIRA. RESOLVERÍAMOS, ASSIM, DOIS PROBLEMAS: O AMBIENTAL, QUE REQUER URGÊNCIA EM PLANTAR FLORESTAS, E O DE EXTRAÇÃO ILEGAL DE MADEIRA.”

Marcello Guimarães, presidente do Conselho Administrativo da Mahogany

Fonte: CicloVivo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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