Brasil é o 4º país mais letal na violência contra ativistas ambientais

América Latina concentrou 82% dos ataques em 2024. No Brasil, número de homicídios mostra que a violência contra ativistas ambientais segue movida pela impunidade.

Segundo o relatório anual da ONG Global Witness, 142 ativistas ambientais foram assassinados e outros 4 desapareceram em todo o mundo em 2024. Apesar da queda em relação a 2023, quando houve 196 vítimas, especialistas afirmam que a redução não indica melhora real, já que os níveis de subnotificação permanecem altos. Desde 2012, mais de 2,2 mil ativistas foram mortos ou desapareceram.

Enterro coletivo de dez trabalhadores rurais mortos em Pau D’Arco (PA), a maior chacina no campo desde 1996.
Enterro de trabalhadores rurais executados em Pau D’Arco (PA), em 2017, episódio que marcou a escalada da violência no campo brasileiro. Foto: Repórter Brasil.

A América Latina segue como epicentro da violência contra ativistas ambientais: a região concentrou 82% dos crimes no último ano, repetindo um padrão que já dura mais de uma década. Os principais alvos são agricultores familiares e povos indígenas, que representaram 45 vítimas em 2024. Mulheres também foram atingidas, muitas vezes em ataques contra famílias inteiras.

No Brasil, foram registrados 12 assassinatos, número menor que os 25 de 2023, mas suficiente para manter o país na quarta posição entre os mais letais. Metade das vítimas eram agricultores, além de 4 indígenas e 1 mulher quilombola. Embora os homicídios tenham diminuído, as ameaças aumentaram. 

Segundo a Comissão Pastoral da Terra, 481 pessoas sofreram tentativas de assassinato, quase metade indígenas. Para a Global Witness, o Brasil vive um contexto de “espaço cívico obstruído”, com intimidações frequentes e restrições ao direito de manifestação.

A Colômbia lidera o ranking global, com 48 mortes, seguida pelo México (19).  No cenário colombiano, a violência contra ativistas ambientais está ligada sobretudo à presença de grupos armados e ao narcotráfico em áreas de grande biodiversidade.

O relatório aponta a impunidade como motor da violência. Em geral, apenas pistoleiros são julgados, enquanto mandantes ligados a setores econômicos ou ao crime organizado seguem impunes. 

Entre os setores mais relacionados aos ataques estão mineração, extração de madeira e agronegócio. Na Amazônia, facções do narcotráfico ampliam sua presença, associando crimes ambientais ao tráfico de drogas e expandindo a violência em regiões remotas.

Para a Global Witness, trata-se de uma crise de direitos humanos e climática. Ao eliminar ou ameaçar quem protege florestas, comprometem-se os ecossistemas que regulam o clima, garantem água e preservam a biodiversidade. Às vésperas da COP30, a ONG cobra medidas urgentes para enfrentar a violência contra ativistas ambientais em nível global.

Lula
Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real via Fotos Públicas

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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